A sustentabilidade é a nova palavra de ordem da moda e está nas rodas de discussão de consumidores, pesquisadores e produtores rurais. Mas muita gente não sabe direito o que é este conceito e como ele se aplica à produção de alimentos. Antes de tudo, especialistas explicam que a produção sustentável preza pelo respeito ao meio ambiente, aos trabalhadores rurais, aos recursos naturais e ao bolso do produtor. Não há sustentabilidade sem benefícios econômicos, portanto o agricultor sempre sai ganhando, seja com a rentabilidade garantida, seja com a melhor qualidade do solo ou do produto final. Técnicas como o Plantio Direto, rotação de cultura, plantio em nível, terraceamento da propriedade, uso consciente da água e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta são algumas medidas que podem ser adotadas pelos produtores para seguirem a produção sustentável. A segurança alimentar, com o mínimo uso possível de agroquímicos, é um dos pilares deste conceito.
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— A produção sustentável vem sendo buscada para que possamos atender à demanda da sociedade por alimento seguro, em quantidade e também produzido de forma a que não haja um prejuízo do meio ambiente, sem contaminantes e com qualidade de sabor, de aroma e de aparência. As chuvas de verão são fortes e rápidas de alto impacto na superfície do solo. Se a terra do produtor estiver descoberta ela estará mais disposta a uma erosão. Se eu faço rotação ao invés de monocultura, eu promovo uma diversificação biológica com diferentes materiais vegetais que ocupam aquele espaço e tenho possibilidades de ter outros insetos e animais no mesmo local. Com a intensidade de vegetação da minha lavoura, eu também promovo captura de carbono da atmosfera e contribuo para evitar o efeito estufa. A produção sustentável tem que gerar benefícios econômicos porque senão não gera um atrativo e não possibilita a própria produção — explica o pesquisador Pedro Luiz de Almeida Machado, chefe da Embrapa Arroz e Feijão.
Outro ponto importante é esclarecer que produção sustentável não é a mesma coisa que produção orgânica. Não é proibido o uso de fertilizantes químicos e de agrotóxicos, mas as aplicações devem ser feitas de forma racional e somente quando necessárias, através do manejo integrado de pragas, com a adoção do monitoramento de pragas. Machado foi um dos palestrantes do IV Seminário Cultura do Arroz de Terras Altas em Mato Grosso, que ocorreu dia 24 de setembro, em Cuiabá, no Mato Grosso. No evento ele explicou as estratégias de produção sustentável do arroz na região como o uso de palhada sobre o solo para evitar a erosão e favorecer o sequestro de carbono, que captura o CO2 da atmosfera e armazena o gás no solo durante muitos anos, contribuindo para a diminuição do efeito estufa. O pesquisador disse também que a rotação do arroz pode ser feita com a soja, milho ou feijão em seguida com gramíneas, como a braquiária.
— O produtor deve produzir arroz fazendo a conservação do solo, evitando a erosão, que ele consiga promover que a água da chuva que cai na sua lavoura ela se infiltre no solo para promover a recarga de aqüíferos em profundidade para que haja abastecimento de água em um período de estiagem. Ainda não conheço alguma certificadora especificamente para a produção de arroz. O que existe no Mapa é o Programa de Produção Integrada. Os pesticidas podem ser utilizados, mas devem ser feitos de forma criteriosa, dentro do manejo integrado de pragas e doenças que consistem em aplicar os pesticidas somente quando houver necessidade, através do monitoramento, com visitas frequentes à campo, batidas de pano para verificar se há insetos-praga em quantidade suficiente para degradar a lavoura. Só a presença do inseto-praga não justifica pulverizar a área. A pesquisa já mostrou que é possível haver um número de insetos-praga que não chegam a degradar a lavoura, isso diminui o custo da produção — lembra o chefe da Embrapa Arroz e Feijão.
Reportagem exclusiva originalmente publicada em 05/10/2010