O projeto de produção de fármacos em sistemas vegetais conduzido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia expande os limites do agronegócio para os setores industriais e farmacêuticos. Concentrada no tabaco e na soja, o objetivo da experiência é avaliar a utilização dessas culturas para acumular moléculas de combate ao câncer e HIV. Coordenador da iniciativa, o pesquisador Elíbio Rech enfatiza que o caminho é extrair as substâncias medicinais das plantas transgênicas.
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— A variedade não será ingerida in natura, mas o medicamento será purificado daquela semente. O que acontece com essas moléculas é que muitas não são produzidas comercialmente por falta de um sistema economicamente viável para produzi-las. E nós acreditamos que esse é um modelo adequado. A escolha da soja se deve ao fato de termos patente para geração de transgênicos. Quanto ao tabaco, conseguimos acumular uma boa quantidade de proteína e dominar a parte de engenharia genética — revela o engenheiro agrônomo.
Esse filão pose ser uma alternativa bastante lucrativa de matéria-prima para os produtores rurais. Considerando o desempenho econômico de materiais compostos por moléculas do hormônio de crescimento humano e outros já disponíveis no mercado, os ganhos podem ser surpreendentes. O rendimento de um hectare com a planta de alto valor agregado pode se equiparar a mil hectares das cultivares tradicionais de soja.
— Nós geramos linhagens de soja e tabaco transgênicos contendo essas moléculas. Depois fazemos todos os estudos das proteínas para saber se estão funcionando corretamente contra as doenças. Então, retiramos essa molécula de dentro da planta, purificamos e realizamos testes in vitro e in vivo — explica.
Por questões de segurança esse tipo de cultivo deve ser feito sob condições de contenção nas propriedades. Plantado em pequenos telados para evitar multiplicação desordenada no meio ambiente, o material não pode ser tratado como alimento e exige um processo de regulamentação distinta.
— É cedo para termos perspectiva de tempo para chegada dessa tecnologia ao consumidor final. Os medicamentos serão utilizados por seres humanos e precisamos de estudos bem mais detalhados. É bem provável que tenhamos alguma expectativa dentro dos próximos dois anos, época em que devemos estar na fase da prova de conceito. Já estamos produzindo essas proteínas, mas ainda vamos fazer todos os estudos de funcionalidade e eficiência — ressalta Rech.
Outro viés interessante da pesquisa é a geração de polímeros para indústria. A equipe também está envolvida na simulação da teia de aranha para reproduzir as fibras com a mesma resistência e flexibilidade, viabilizando a produção em larga escala.