Teca: resistência e altos preços indicam potencial para plantios florestais no País

Brasil possui grandes áreas propensas ao cultivo da espécie madeireira nativa da Ásia

Nivea Schunk
Agronegócio

Ainda em fase de organização, a avaliação da diversidade brasileira de Tectona grandis, árvore madeireira originária do Sudeste da Ásia, será submetida à aprovação pela Embrapa Florestas. Ao pesquisar a variabilidade da base genética da madeira conhecida como teca, o projeto deve mensurar a necessidade e os custos para instituir um programa nacional de melhoramento. Com vocação estética, a espécie nobre concentrada no Mato Grosso é composta por óleos-resina, que lhe conferem resistência diferenciada e altos preços de mercado. Estudos no sentido de potencializar a viabilidade econômica da cultura também começam a ser definidos em parceria com a UFMT.

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De acordo com o pesquisador Guilherme Schuhli, para atender às demandas do sistema produtivo, a Embrapa precisa identificar os gargalos do cultivo no território matogrossense, bem como, as possibilidades de expansão para outros Estados. Realizado recentemente com a Embrapa Mato Grosso, um workshop  deu início às discussões acerca da silvicultura, sanidade, manejo e economia do segmento. O intuito inicial é congregar especialistas e produtores, criando uma rede de trabalho e intercâmbio de informações, desafios e dados de produção para estabelecer os papéis de cada uma das entidades participantes do processo.

— Um dos problemas é o aproveitamento da madeira de desbaste pelos pequenos e médios produtores. Esse material ainda não tem posição mercadológica definida. A Embrapa pode atuar para descobrir quais são as aplicabilidades econômicas ou desenvolver alternativas com espécies teca em outras formas de plantio. O primeiro modelo lavoura-pecuária-floresta foi feito com teca. São diversas alternativas e por isso as ações de especulação da rede para definir uma plataforma de pesquisa são muito importantes — pondera.

Devido à tradição florestal, o domínio das técnicas de micro-propagação e clonagem e as grandes extensões de terras com propensão de cultivo, Schuhli diz que o Brasil é forte candidato a ocupar posição estratégica na produção da teca. De folhas largas e crescimento rápido, a espécie é muito utilizada para construção de estruturas expostas à água. Bastante promissora também em recuperação de áreas degradadas pode ser uma alternativa para as reservas legais de florestas.

— A árvore admite ciclos curtos e longos, dependendo da região e do modelo de produção se pode cortar a madeira em 15 anos ou em 80 anos. Com a estratégia mais vantajosa para cada momento, o Brasil adota o ciclo curto. Produzimos uma madeira que não é tão dura quanto às outras, mas tem um valor de comercialização bastante cobiçado. Grande parte é exportada para o próprio sudeste asiático para compensar a demanda que eles já não conseguem atender. O mercado interno está começando a descobrir o potencial de fabricação de móveis especializados, como painéis feitos à base da madeira nova, onde se cola os cortes de teca, muito utilizados por arquitetos em decoração — revela.