Tecnologia para biodegradação de resíduos do coqueiro

O Brasil, com uma área de plantio de mais de 290 mil hectares, pode produzir 3,84 milhões de toneladas de resíduos como alternativa agroecológica

Margareth Santos
Fruticultura

O emprego da tecnologia de aproveitamento dos resíduos do coqueiro tem grande importância para a preservação ambiental. Não apenas pelo uso de matéria-prima infinita e renovável, como pela redução da poluição atmosférica, que tem origem na queima desses resíduos, e ainda na redução do volume de lixo depositado no meio ambiente. Por isso, foi gerada uma tecnologia para biodegradação da casca do coco no menor tempo possível, transformando os resíduos em substratos, compostos e abudos orgânicos, como alternativa agroecológica.

O coco é constituído por água-de-coco (albúmen líquido), amêndoa (albúmen sólido), “quenga” (endocarpo) e casca, que representa 57% do fruto e é composta de fibra e pó (mesocarpo) e uma camada mais externa (epicarpo). A maioria das cascas, folhas e cachos dos coqueiros são queimados ou descartados como lixo. Quando queimados, produzem substâncias poluidoras do meio ambiente. E quando viram lixo, tornam-se meio adequado para propagação de animais peçonhentos e insetos vetores de doenças.

As cascas podem ser aproveitadas como carvão vegetal, com valor calórico entre três e quatro mil quilocalorias por quilo (kcals/kg). A fibra tem grande utilidade na indústria de carpetes, estofamento de carros, escova, placas para isolantes térmicos e acústicos, placas de conglomerados, aditivos de gesso na construção civil, cordas, biomantas para contenção de erosão laminar, vasos e placas para cultivo de plantas ornamentais. O pó, originado da trituração, apresenta características físicas semelhantes à vermiculita. É hidrófilo e destaca-se como melhorador físico e biológico do meio de cultivo de diversas espécies vegetais, servindo de estimulador de enraizamento de plantas.

No Brasil, com uma área de plantio de mais de 290 mil hectares, é possível produzir 3,84 milhões de toneladas de resíduos, sendo 1,53 milhão de casca e 1,69 milhão de folhas. Isso representa uma economia de cerca de R$ 460 milhões para o País. Entre outros benefícios, o uso desses produtos na produção de mudas poderá gerar impacto significativo na produção agrícola e no reflorestamento dos estados produtores.


Saiba mais sobre o assunto

Início do processo de transformação dos resíduos em compostos orgânicos

Finalização do processo de transformação dos resíduos em compostos orgânicos