Tecnologia para dissolver fosfatos presentes no solo pode diminuir custos de fertilização

Fontes alternativas podem ser a saída para dependência de fertilizantes importados no Brasil

Nivea Schunk
Nutrição Vegetal

Dentre as atividades do projeto “Bases tecnológicas para produção de fertilizantes”, ligado à rede FertBrasil, sob a coordenação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a unidade Milho e Sorgo é a responsável pelos estudos sobre o uso de microrganismos solubilizadores de rocha para produção comercial a partir de fontes alternativas. A experiência se baseia no aproveitamento de algumas substâncias, naturalmente produzidas por fungos e bactérias presentes no solo, para dissolver os fosfatos inacessíveis à planta. A consolidação da técnica diminuiria a dependência nacional dos fertilizantes importados, reduzindo também os custo do processo.

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A pesquisadora Eliane Aparecida Gomes explica que o crescimento as plantas depende de uma boa dose desse tipo de fertilizante. O Brasil produz grandes quantidades de fosfato de rocha indisponíveis à absorção vegetal. Então, a proposta é isolar esses microrganismos do solo, colocá-los para crescer junto com os fosfatos. A atuação dos ácidos orgânicos viabiliza a solubilização desse fósforo, barateando a fertilização das culturas.

— Ainda em fase laboratorial de seleção in vitro, já temos uma coleção de 50 microrganismos mantidos em geladeira. Eles foram cultivados em meio de cultura com as fontes de carbono e todos os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. O potencial de solubilização tem se mostrado bastante promissor, muito próximo do desempenho de adubos comerciais consagrados no mercado — revela a pesquisadora.

De acordo com Eliane, para diminuir os custos do processo, antes de partir para experimentos em casa de vegetação, haverá uma avaliação da utilização de dejetos orgânicos das propriedades como fonte de carbono. Terminada essa etapa, terá início o experimento piloto para observar o potencial de absorção do fósforo pelas plantas.

— Depois da multiplicação em laboratório, os microorganismos podem ser repassados aos produtores e cooperativas, que terão a possibilidade de produzir o próprio adubo em tanques com esterco e a rocha. Outra vantagem significativa também está em observação. É que esses fungos e bactérias vão sobreviver no solo até uns 6 meses, solubilizando o fosfato imobilizado no solo — revela.