O algodão é uma das culturas em que os agrotóxicos são mais utilizados, entre outras razões, por ser muito suscetível ao ataque de pragas e doenças. No entanto, tecnologias modernas como o desenvolvimento de materiais mais resistentes através do melhoramento genético podem diminuir o uso intensivo de químicos. A ramulária e a ramulose são as principais doenças que afetam o algodoeiro e podem ser combatidas de forma mais consciente pelo produtor. É o que mostra o pesquisador da Fundação Mato Grosso Paulo Hugo Aguiar, integrante do Programa de Melhoramento Genético do Algodão da instituição.
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O especialista diz que já existem materiais genéticos modernos e técnicas de manejo da cultura que permitem a redução das aplicações. No caso da ramulária este fato é mais evidente. A doença fúngica, que afeta a folha do algodão causando a desfolha precoce e a redução de produtividade, é responsável por cerca de 70% das aplicações na cultura. Se não for controlada ela pode causar danos graves que chegam a comprometer bastante a produtividade. A boa notícia é que algumas cultivares já são resistentes ao ataque do fungo chegando ao ponto de dispensarem totalmente o uso dos químicos. Porque possuem a tecnologia RX.
— É importante dizer ao produtor que o primeiro sintoma que ele observa na ramulária para dar início às aplicações de fungicida é a mancha azulada. As cultivares resistentes com a tecnologia RX apresentam esta mancha também, mas ela não causa infecção no tecido foliar. Já vimos produtores que cultivam material RX em que o monitor de campo observa esta mancha azulada, não conhece a tecnologia e dá início à aplicação do fungicida, quando não é necessário — esclarece Aguiar.
O caso da ramulose é um pouco mais complicado. Ainda não existe no mercado cultivares resistentes à doença, existem apenas materiais menos sensíveis ao ataque do fungo. As aplicações de fungicidas no cultivo convencional ainda são necessárias para combater o patógeno, mas com cuidados de manejo como atenção à época ideal de plantio, uso de boas cultivares, distribuição bem feita de soqueira e monitoramento da lavoura é possível conviver melhor com a doença.
— Essas duas doenças são responsáveis por aplicações de fungicidas na cultura. Em média, no Estado de Mato Grosso, são realizadas de quatro a cinco aplicações de fungicidas durante o ciclo do algodão para controlar estas doenças. A ramulose afeta o ponto de crescimento da planta causando um superbrotamento e deixando o algodoeiro com aspecto envassorado. Pode causar perdas de produtividade de mais de 50% se não for devidamente controlada. O produtor precisa usar as outras ferramentas disponíveis para controle — explica o pesquisador.
Para mais informações sobre o controle das doenças do algodão, os interessados podem entrar em contato com a Fundação MT pelo site www.fundaçãomt.com.br

Reportagem exclusiva originalmente publicada em 16/03/2011