Tecnologias incentivam plantio no Paraná

Uso de variedades rústicas de batata, irrigação por pivô central e técnica de amontoa nas leiras são necessárias para desenvolver cultivo na região

Juliana Royo
Irrigação

O cultivo da batata é bastante tradicional no Estado do Paraná. No entanto, o norte do Estado não está incluído neste padrão por causa do clima mais seco da região e da cultura local dos agricultores, que estão acostumados a plantar grãos. O Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) está tentando desenvolver a cultura do plantio de batata na região através da utilização de tecnologias como a irrigação sob pivô central e o uso de variedades rústicas brasileiras, mais resistentes a pragas e doenças e ao tipo de solo encontrado.

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O pesquisador Nilceu Nazareno, do Iapar, será o palestrante do Dia de Campo da Batata que acontece dia 26 de agosto, em Londrina e diz que enxerga muito potencial para o cultivo de batata no Norte do Estado, sendo preciso apenas uma mudança no pensamento dos agricultores da região. A princípio, qualquer cultivar de batata pode ser plantada, mas os pesquisadores estão dando preferência a cultivares rústicas e brasileiras, que podem suportar melhor o clima seco da região e resistem mais a pragas e doenças. Nazareno diz que a maioria das batatas plantadas no País são de variedades estrangeiras, em que as sementes usadas são importadas. Ela recomenda, principalmente, a BRS Ana e a nova variedade que está sendo lançada pelo instituto, a Iapar Cristina, que é uma cultivar orgânica.

— A batata é uma hortaliça de grandes áreas e extremamente exigente em água e, como o inverno no Norte do Estado é muito seco, se não houver irrigação a produção vai ser muito baixa. O preparo de solo bem profundo é fundamental porque, se tiver muito torrão, a batata apresenta defeitos que diminuem o valor comercial, adubação correta, prevenção contra pragas e doenças. Por isso, também, a gente tenta enfatizar o plantio de variedades mais rústicas para que seja menos necessário o uso de agrotóxicos. Existe a necessidade de se fazer uma boa amontoa nas leiras de batata porque é assim que se protege o tubérculo da incidência de luz solar, que o torna esverdeado. Quanto mais raso o tubérculo, mais fácil para que os insetos penetrem e o danifiquem. O pessoal de grãos nunca faz isso, não existe este tipo de operação — ensina Nazareno.

Por causa do clima da região, o plantio no norte do Paraná deve ser feito no fim do outono, entre o final de abril e início de maio, com colheita em meados de agosto e início de setembro, já que o ciclo da cultura é de 90 a 120 dias. A safra experimental do Iapar será colhida durante esta semana, então ainda não existe o dado fechado de produtividade que as variedades atingiram na região, mas Nazareno acredita que seja mais de 30 toneladas por hectare.

Um benefício do cultivo de batatas na região Norte do Paraná é a pouca incidência de pragas e doenças. O pesquisador explica que quase não há ocorrência de doenças, principalmente por causa do clima mais seco da região e do uso de variedades rústicas. Já no caso das pragas, a baixa incidência se deve à novidade da cultura na área, então ainda não há as pragas tradicionais da batata, apenas alguns problemas com a vaquinha, que está na região devido ao cultivo intenso de grãos. A vaquinha põe os ovos na base da planta e  quando os ovos eclodem as larvas descem no solo em direção ao tubérculo e fazem furos minúsculos chamados de buraco-alfinete, segundo Nazareno.

— Produtores da Região Sul já vão no norte do Estado plantar batatas para fazer a produção de tubérculo-semente, que é o material para depois eles plantarem para consumo. Uma das alternativas para a produção de batata no norte do Paraná é para esta finalidade porque o produtor pode produzir sementes para vender para os agricultores do Sul. Além disso, Londrina e Maringá são regiões muito urbanas, então, tem um potencial grande para consumo local da produção — explica.