O plantio das culturas de verão já começou e os produtores precisam ficar atentos a uma peculiaridade climática que vai acontecer este ano e pode causar queda de produtividade e qualidade nos cultivos. O La Niña é um fenômeno meteorológico que acontece quando há o resfriamento das águas do Oceano Pacífico. Ele afeta diretamente a safra de verão, porque reduz a média de temperaturas e provoca o atraso e diminuição do volume de chuvas, principalmente de outubro a dezembro, causando estiagens e veranicos. A notícia é ruim para os produtores porque a menor quantidade de água no solo pode provocar estresse hídrico e diminuir a produção. Para se prevenir destes problemas, é preciso redobrar os cuidados de manejo e seguir rigorosamente as recomendações de plantio para cada região.
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O Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) divulgou uma lista de recomendações para os produtores paranaenses, mas que pode servir de exemplos para muitos outros produtores da Região Sul. As medidas a serem adotadas estão divididas entre curto, médio e longo prazo. Entre as indicações imediatas, estão: fazer controle rigoroso de plantas invasoras que competem por água com a cultura, fazer a semeadura somente após chuvas suficientes para suprir a deficiência de água no solo, lembrando que se o solo estiver seco são necessários de 30 a 40 milímetros de água para garantir a emergência da planta, e fazer a semeadura escalonada, sempre obedecendo o período determinado pelo zoneamento agrícola. Também estão entre as recomendações de curto prazo realizar a adubação recomendada conforme a análise do solo, de preferência aplicando adubo em maior profundidade, seguir a indicação tecnológica para o tratamento de sementes, construir ou aumentar depósitos de águas como açudes e não queimar os restos culturais em hipótese alguma.
— O La Niña pode afetar a produtividade pelo risco de deficiência hídrica. Se ocorrer na época de floração e enchimento de grãos, que é a época que a cultura mais demanda água, a produtividade pode cair. É importante sempre cuidar das fontes de água como os rios e minas, recompor a mata ciliar, evitar o assoreamento destas áreas e tentar manter o nível mesmo em épocas de diminuição de chuvas. Nós recomendamos o terraceamento não só para evitar a erosão como também para manter essa água na propriedade, porque ela vai se infiltrar e abastecer os lençóis freáticos da área, que servem de reserva para as culturas em período de estresse. É importante fazer o Plantio Direto porque ele mantém a palhada na superfície do solo levando mais umidade à planta — alerta o pesquisador Wiliam da Silva Ricce, do Iapar.
Ricce é um dos autores da publicação “O Fenômeno La Niña e a Agricultura do Paraná – Aviso Especial para a Safra 2010/2011”, que está disponível no site do Instituto Agronômico do Paraná (www.iapar.br).