Tensiômetros para o controle de irrigação em hortaliças

Trabalho baliza melhor o manejo da irrigação, uma vez que é consenso que ela é rotineiramente realizada de forma empírica e geralmente com desperdício de água.

Redação
Irrigação

O déficit hídrico interfere na produtividade e na qualidade de hortaliças. Apenas regiões com distribuição regular de chuvas ao longo do ano escapam a esse problema. Logo, irrigar no momento apropriado e na quantidade adequada, juntamente com a escolha correta do sistema de irrigação, é o principal segredo para o sucesso da produção de hortaliças.
 
Em auxílio ao produtor rural, existe o equipamento chamado tensiômetro, que ajuda na determinação da hora e do volume de água para irrigar, evitando desperdícios. O pesquisador Waldir A. Marouelli, da Embrapa Hortaliças, estuda recomendações de uso e cuidados que devem ser dispensados na utilização de tensiômetros para o controle da irrigação.
 
Para tanto, além de orientações acerca da instalação, manutenção e tipos de tensiômetros, o pesquisador desenvolveu uma tabela de leitura de tensiômetros (kPa), a qual permite ser relacionada a duas outras. A primeira delas aponta a tensão-limite de água no solo para diferentes hortaliças, conforme o sistema de irrigação empregado; e, a segunda, a lâmina de água necessária a cada irrigação, em milímetros, conforme a tensão de água no solo, para cada 10 centímetros de profundidade.
 
Por exemplo, em uma situação hipotética: produtor que irriga por aspersão convencional sua cultura de alface (estádio de formação de cabeça) a todo o momento que a tensão de água no solo (tensiômetros rasos instalados a 10 centímetros) atinge 15 kPa. Complementarmente, o solo é de textura média, a profundidade efetiva das raízes (observação visual) é de 25 centímetros e a eficiência de irrigação de 70%.
 
Para esse caso, a recomendação é a seguinte: para solo de textura média e tensão de 15 kPa, a lâmina de água necessária por irrigação será de 3,6 milímetros para cada 10 centímetros de solo. Para uma camada de solo de 25 centímetros, a lâmina de água necessária será de 9,0 milímetros (3,6 mm / 10 cm x 25 cm). Assim, a lâmina total de água a ser aplicada, considerando a eficiência do sistema, será de 12,9 milímetros (9,0 mm/ 0,70).
 
Trabalhos como o do pesquisador Waldir A. Marouelli balizam melhor o manejo da irrigação, uma vez que é consenso que ela é rotineiramente realizada de forma empírica e geralmente com desperdício de água. Além do desperdício, irrigações em excesso comprometem a produção. Contraditoriamente, mesmo plantações irrigadas em demasia são, em algumas situações, submetidas a condições de déficit hídrico. Tal fato tem levado empreendimentos de produção de hortaliças a uma condição de baixa sustentabilidade econômica e socioambiental.