A qualidade das sementes é muito importante para o resultado de um bom plantio, o que torna o manejo de pragas em sementes um assunto muito importante para os produtores que querem elevar a qualidade da sua produção. Existem três métodos principais contra os insetos-pragas que atacam as sementes: o controle preventivo químico, o controle preventivo físico com o uso de terra de diatomáceas (TD) e o controle através do expurgo com gás fosfina. Todos se mostram muito eficientes e têm custo semelhantes.
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O controle preventivo químico é o mais conhecido pela maioria dos produtores e usa um químico líquido aplicado sobre as sementes para impedir a ação das pragas. Já as outras duas tecnologias, mais modernas, chamam a atenção de alguns. A terra de diatomáceas é um pó proveniente de algas marinhas fossilizadas, não é um produto químico nem tóxico. Ele é extraído das diatomáceas, moído, purificado e guardado em uma embalagem. Este pó, chamado de terra de diatomáceas, é misturado às sementes e impede que os insetos consigam comê-las, porque as pragas se desidratam quando entram em contato com o pó.
— Nós misturamos com esta terra de diatomácea com a dose de um quilo para cada tonelada de sementes. Essa terra de diatomácea tem a característica de desidratar o inseto, então qualquer inseto-praga que chegar para comer a semente vai encontrar a terra de diatomácea, vai entrar em contato com este pó seco que está sobre a semente e vai ser desidratado. Essa praga não chega a se proliferar e não chega nem sequer a se alimentar da semente.
Existem algumas características da terra de diatomácea como a longa vida deste produto, ou seja, não perde o efeito. Durante todo o período de armazenagem, a terra de diatomácea atua para combater qualquer praga que chegar na semente. Ele também é um produto bastante seguro porque é natural, não é um produto químico e dá uma boa segurança na operação dele para as pessoas que trabalham na armazenagem — explica o pesquisador Irineu Lorini, da Embrapa Soja.
Já a técnica do expurgo com gás fosfina requer muito cuidado na operação porque é um gás extremamente tóxico que pode causar problemas de saúde se não for controlado corretamente. A técnica consiste em envolver os lotes de sementes com uma lona plástica resistente específica e colocar uma pastilha de gás fosfina dentro destes lotes. O gás deve ficar lá dentro por dez dias e quando for liberado vai matar todos os insetos presentes no lote.

— Nós recebemos a semente, beneficiamos e colocamos elas nos lotes normais para ela ser armazenada, aí nós temos que envolver todo este lote de semente com uma lona específica para expurgo, uma lona plástica específica para o uso do gás fosfina, que é um biocida muito eficaz. A pastilha vai se desmanchar e libera imediatamente um gás que é altamente tóxico. Este gás vai matar todas os insetos-praga que estariam naquele lote de sementes. Sempre nós vamos ter que tomar o cuidado de vedar este local porque é um gás que não pode ter nenhum vazamento, por isso é preciso esta lona plástica com fechamento hermético durante 10 dias. Terminado este período, nós retiramos esta lona e o gás é liberado, sempre com todos os equipamentos de proteção individual — ensina Lorini.
O resultado é muito eficiente, mas o gás fosfina deve ser controlado por uma máquina que vai medir a concentração dele nos lotes. Ele não pode vazar para não haver nenhum risco de contaminação e também porque perde a eficiência de controle se não houver uma concentração mínima de 400 bpm de gás para matar as pragas.
— O produtor tem que saber que este gás é extremamente tóxico e precisa ser manuseado com muito cuidado para não causar danos às pessoas e também pode não funcionar se não for aplicado adequadamente. O que nós recomendamos é que a empresa ou associação que estiver usando a técnica do gás fosfina tenha um medidor para o gás e acompanhe diariamente a concentração do gás, para ter a certeza de que ele não está vazando. No mínimo 400 bpm de gás precisam ficar dentro da armazenagem para conseguir matar todas as pragas — recomenda.