Os produtores de feijão sofrem muito com a flutuação de preços do mercado. Muitas medidas precisam ser tomadas pelas autoridades e pela pesquisa para amenizar estes problemas e uma delas é o plantio de variedades para exportação. O mercado internacional tem uma grande demanda por feijão, mas as tradicionais variedades brasileiras não atendem aos requisitos necessários e este enorme mercado é desperdiçado. O doutor em solos e nutrição de plantas e pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão João Kluthcouski, conhecido como João K, é um dos incentivadores da produção de feijões especiais no país e participou de um Dia de Campo em Tocantins para explicar aos produtores os benefícios das variedades para exportação.
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Entre as cultivares que podem ser cultivadas para exportação pelo maior tamanho do grão João K destaca o tipo Cramberry, um feijão rajado que é até 4 vezes maior do que os tradicionais, o BRK 18, de cor vermelha conhecido como Embaixador, o feijão açúcar conhecido como Executivo, e cultivares de feijão branco, que não tem mutia produção no Brasil e são absicamente importandos de países vizinhos como a Argentina.
— Temos outras duas cultivares desenvolvidas aqui no Brasil que é o BRS Radiante, que é um rajado grande, temos o Jalo precoce, que é um manteigão grande, que dá o dobro das sementes normais. Todos eles têm produtividades iguais ou superiores aos feijões tradicionais, com 50 a 60 sacas por hectare. Precisamos disseminar o plantio destes feijões porque em breve nós estaremos exportando e evitando flutuações enormes do preço pago do feijão no Brasil. Tanto a pesquisa brasileira quanto os produtores ainda não se deram conta de que é possível exportar feijão e a própria pesquisa erra neste aspecto. Estamos pesquisando e produzindo apenas feijão que brasileiro come — explica o pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão.
Um dos requisitos para exportação é a redução do uso de químicos durante a produção, com a adoção do manejo integrado. Segundo João K, os produtores usam até 70% a mais de agrotóxico do que o necessário como prevenção por medo da ocorrência de pragas. Ele diz que com o manejo integrado os produtores podem usar, pelo menos, 30% menos agrotóxicos do que se usa atualmente nas lavouras porque o conceito do sistema é fazer um monitoramento das pragas e doenças e só começar a aplicação após os sinais de infestação. O selo de qualidade também é um diferencial importante para quem quer atingir o mercado de exportação. Basicamente o selo preza por uma boa cor, tamanho e regularidade dos grãos, além do sistema de produção integrada.
— Faltam duas coisas para o Brasil se tornar um exportador de feijão a primeira é transferência de tecnologia e a outra é o governo auxiliar os produtores a colocar o feijão no mercado internacional. Eu gostaria de pedir aos produtores de feijão que busquem informação, comecem a produzir estas variedades, façam associações porque há anos os produtores tem uma boa safra, mas aí o preço cai e os produtores levam prejuízo. Tendo feijão exportação, essa leguminosa passa a ser commoditie, ou seja, dolarizado, e isso não varia. Busquem informação junto à Embrapa, junto ao IAC que já lançou vários feijões de exportação, e a outras instituições de pesquisa para darmos mais um salto qualitativo na agricultura brasileira — discursa.