Touros mais resistentes a infestações

Pesquisa aponta o estudo do genoma de bovinos como a solução para o extermínio de carrapatos

Breno Fonseca
Manejo

O carrapato é uma das principais causas de perdas econômicas na criação de bovinos no Brasil. E os representantes das raças europeias têm ainda maior predisposição a se infectar pelo carrapato, principalmente quando criados nas regiões mais quentes de nosso país. Para solucionar o problema, o projeto “Seleção genômica para resistência ao carrapato bovino nas raças hereford e braford”, do pesquisador Fernando Flores Cardoso, da Embrapa Pecuária Sul de Bagé (RS), busca identificar os touros mais resistentes à infestação natural dos ácaros.

A avaliação será feita nas fazendas dos criadores da Conexão DeltaG, empresa parceira na pesquisa, com a contagem de carrapatos nos animais e com a coleta de sangue para o estudo do DNA dos bovinos. De acordo com Fernando Cardoso, isso servirá para relacionar a genética das raças hereford e braford com o número de touros, criados sob as mesmas condições e no mesmo ambiente, infectados pelo carrapato.

— Pretendemos medir pelo menos dois mil animais e ver a possibilidade de chegar a quatro mil nessa primeira fase. E aí vamos fazer uma varredura dessa população buscando marcadores associados com essa característica — explica.

Pesquisa relaciona
genética de hereford
com número de
touros infectados

 No segundo passo da pesquisa, os bovinos mais resistentes e os mais suscetíveis (os dois extremos) serão levados à unidade da Embrapa para a continuação dos estudos e para a execução de desafios artificiais usando técnicas avançadas de genômica. A intenção é o reconhecimento dos principais genes associados com a resistência ao carrapato. Finalmente, um painel de marcadores genéticos será montado para a seleção de animais resistentes no rebanho sem a necessidade do desafio, que pode acarretar em prejuízo, e sem a contagem direta do carrapato.

— Então, simplesmente através de um teste sanguíneo, com esse painel, temos condições de selecionar animais resistentes. E no futuro poderíamos desenvolver linhagens de hereford e braford mais resistentes à infestação natural pelo carrapato – completa Fernando.

O pesquisador ainda destaca que, com o grande avanço no campo da biologia molecular e da biotecnologia, existem testes em que se pode estudar mais de 50 mil marcadores para um mesmo animal. Desta forma, em uma única prova, é possível estudar todo o genoma de um indivíduo e confrontar com as manifestações de doenças.

A contagem dos carrapatos será feito pelos próprios criadores e, no dia sete de outubro, haverá um treinamento para todos os técnicos e fazendeiros com o objetivo de capacitá-los no processo de enumeração, na avaliação e manejo dos ácaros e, também, na coleta de sangue para a extração do DNA.
 

Pesquisa prevê resultados

O trabalho, recém iniciado, tem por finalidade dois resultados principais:  o painel de marcadores para selecionar animais e, futuramente, linhagens das raças hereford e braford mais resistentes ao carrapato bovino. Do ponto de vista científico, Fernando comenta que isso poderá levar ao conhecimento de alguns genes envolvidos na defesa contra o ataque de carrapatos e, ainda, no entendimento de todo o processo biológico do animal. Considerando o artrópode como um dos principais parasitas que afeta os bovinos, tais efeitos trariam a redução no uso de acaricidas para tratamento, reduziriam a transmissão de doenças, e diminuíriam a incidência de contaminantes químicos na carne bovina.