Transgenia verde e amarela

Embrapa investe em pesquisas com variedades geneticamente modificadas para resolver problemas comuns da sojicultura brasileira

Nivea Schunk
Sanidade Vegetal

A fim de encontrar caminhos próprios para resolver questões específicas das peculiaridades de clima, solo e pragas brasileiras, a Embrapa vem apostando suas fichas no desenvolvimento de soluções para a sojicultura nacional. Pesquisador da Embrapa Soja, Carlos Arrabal conta que uma das novidades mais esperadas é o lançamento da soja resistente à seca. Ainda em fase inicial de prospecção de genes na unidade, o projeto deve apresentar resultado em alguns anos. Outra novidade é a disponibilização da Cultivance, própria para substâncias do grupo das imidazolinonas, que, em utilização conjunta com a soja RR tolerante ao glifosato, deve proporcionar melhores resultados de controle de ervas daninhas nas lavouras. Já a RR2 BT tem o benefício de resistir à lagarta, dispensando o uso de inseticidas que podem eliminar inimigos naturais de outras pragas.

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De acordo com o melhorista, a longo prazo, o objetivo é controlar problemas muito importantes para os sojicultores, como a ferrugem asiática e mesmo o estresse hídrico, para garantir maior sustentabilidade econômica. Mas, até o momento, os produtos mais próximos da comercialização primam pela tolerância a herbicidas e insetos. Meio eficiente de introduzir genes provenientes de qualquer organismo vivo em outra espécie, a transgenia atualmente é vista a partir de uma abordagem mais racional no mercado interno.

— Está claro que a tecnologia tem pontos muito positivos a serem aproveitados não só na agricultura como em diversos setores. Entretanto, a grande maioria dos produtos conhecidos internamente ainda são fruto do trabalho de multinacionais estrangeiras. Em geral, os transgênicos têm representado ganhos em termos ambientais e econômicos. Além dos testes agronômicos usuais em várias regiões para verificar estabilidade de produção e suscetibilidade a doenças, é necessário provar que o gene inserido na planta não muda as característica químicas a ponto de provocar efeitos negativos para o uso humano e animal — afirma ele.

Os experimentos são iniciados em laboratório para isolar os genes, inseri-los na planta-alvo através de algum método de transformação e trabalhar nos programas de melhoramento. Então, começa a fase de seleção do evento elite, onde se procura a planta que expressa a característica desejada. Em seguida, vêm os experimentos regulatórios, etapa em que é obrigatório apresentar os dados apurados à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) no intuito de comprovar a ausência de quaisquer tipos de riscos.

— No caso da soja, existe uma garantia de preço e acessibilidade para o agricultor a esse tipo de material, porque o interesse das empresas é que as cultivares tenham grande penetração no mercado. Em relação à soja, trabalha-se com áreas muito grandes, em torno de 22 milhões de hectares, de forma que o ganho é maior com a disseminação da tecnologia. Isso garante que o preço da semente e do herbicida seja competitivo — conclui.

"Objetivo é contro-
 lar problemas muito
 importantes para os
 sojicultores"


 Carlos Arrabal,
 da Embrapa Soja