Transgênicos economizam área plantada equivalente ao estado do Pará

Estudo mostra que adoção dos transgênicos diminuiu necessidade de área plantada em 123 milhões de hectares em 16 anos

CIB
Agronegócio

Ao reduzir as perdas, facilitar o manejo e contribuir para o aumento de produtividade, os transgênicos diminuíram a necessidade de área plantada em 123 milhões de hectares, entre 1996 (ano do lançamento da primeira planta nos EUA) e 2012. Essa área, aproximadamente do tamanho do estado do Pará, seria demandada, caso a produção atual de 377 milhões de toneladas de alimentos e fibras adicionais não fossem produzidas por lavouras geneticamente modificadas (GM) no mesmo período.

A constatação está no relatório sobre comercialização de variedades GM, divulgado nesta quinta-feira, 13, pelo Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), organização não governamental apoiada por entidades dos setores público e privado. O documento também revela que, em 2013, foram plantados 175,3 milhões de hectares de variedades transgênicas em todo o mundo. O Brasil figura em segundo lugar, com 40,3 milhões de hectares cultivados com soja, milho e algodão GM, atrás apenas dos EUA (70,2 milhões de ha).

Entre 2012 e 2013, o País registrou aumento de 10% na área plantada, com adoção de 92% para a soja, 90% para o milho e 47% para o algodão. “Os transgênicos permitiram a intensificação da produção global e, principalmente, brasileira, contribuindo para evitar que a agricultura disputasse área com reservas de biodiversidade nos 27 países em que são cultivados”, afirma Anderson Galvão, representante do ISAAA no Brasil.

Ainda de acordo com o relatório, os transgênicos são vitais para reduzir o avanço de fronteiras agrícolas e garantir a produção de alimentos, mas devem ser combinados com outras práticas agrícolas. “Rotação de cultivos, manejo da resistência e práticas conservacionistas como o plantio direto são exemplos de técnicas necessárias tanto em lavouras transgênicas como em convencionais, na perspectiva de uma agricultura sustentável”, afirma Galvão.

O levantamento do ISAAA aponta que, entre 1996 e 2012, os transgênicos resistentes a insetos (Bt) e a herbicidas evitaram o uso de 497 milhões de quilos de princípio ativo de defensivos químicos. Essa economia foi sentida, sobretudo, nos primeiros anos de cultivo das variedades tolerantes a herbicidas, que tornaram o controle de plantas daninhas mais barato e eficiente. Só em 2012, as cultivares GM evitaram a emissão de 26,7 bilhões de quilos de CO2 (volume produzido por 11,8 milhões de carros em um ano). A economia foi obtida com a menor movimentação de maquinário, decorrente da redução de tratamentos na lavoura e da aragem.

Em 2014, Ano Internacional da Agricultura Familiar, declarado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), é especialmente relevante a informação de que os benefícios financeiros geraram melhora na qualidade de vida de 18 milhões de agricultores, 90% dos quais (16,5 milhões) pequenos produtores. Incluindo-se as famílias desses agricultores, o total de beneficiados chega a 65 milhões de pessoas.

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Fonte: ISAAA