Muito presente dentro das pilhas de produção de composto orgânico em todo o País, o gongolo, também conhecido como piolho-de-cobra ou ainda embuá é um injustiçado. Quase sempre é visto como predador de minhocas, quando, na verdade, não o é. Esse diplópode, um pequeno invertebrado de solo, tem tarefa complementar dentro do processo de compostagem ou vermicompostagem, ele é o responsável pela trituração dos restos de folhas, galhos e outros materiais mais resistentes.
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— Na vermicompostagem também é muito comum ver esses organismos presentes, mas existe uma falsa crença de que eles são predadores de minhocas, então alguns produtores, os retiram da vermicompostagem, o que não é correto. Na verdade, os gongolos têm um papel complementar, quebrando as estruturas vegetais e a minhoca vai trabalhar na humificação desse material. O ideal é que ao invés de retirar esses organismos da pilha de composto, o agricultor possa até mesmo introduzir mais — explica a pesquisadora da Embrapa Agrobiologia, Maria Elizabeth Corrêa.
Maria Elizabeth faz parte do Projeto de Processamento de Resíduos Orgânicos através do Manejo da Fauna de Solo, uma iniciativa que tem como meta entender melhor o comportamento de animais como o gongolos, besouros e minhocas e sua aplicação na agricultura. Ciclo de vida, atuação na decomposição de materiais, população, entre outros, são questões que o projeto, recém-lançado, pretende responder.
Mesmo ainda em fase inicial, uma das principais constatações é exatamente a imagem negativa do gongolo junto aos agricultores, que tendem a descartá-lo pensando ser prejudicial ao processo de compostagem. Segundo a pesquisadora, é preciso observar e valorizar toda essa biodiversidade que existe naturalmente na propriedade e não pensar em eliminá-la. Cada animal tem a sua função no processo.
O gongolo tem um corpo cilíndrico e muitas pernas. Lembra a lacraia, mas ao contrário desta, faz um movimento reto e as pernas parecem formar ondas ao se deslocar, enquanto a lacraia anda em zigue-zague. Ao ser tocado, o gongolo enrosca-se em espiral e é benéfico. O projeto tem também um aspecto educativo: mostrar que a biodiversidade da compostagem é importante e pode trazer um resultado melhor para o agricultor.
— Na pilha de compostagem e vermicompostagem, pode ocorrer uma série de organimos, pequenos insetos ou invertebrados, como gongolos, besouros, minhocas, que são uma cadeia alimentar na compostagem. Cada um deles tem o seu papel específico e traz benefícios para o composto. Entender que essa biodiversidade é importante e também uma das grandes lições do projeto — ressalta.
