Apontar alternativas que permitam aos agricultores o desenvolvimento das plantações de arroz vermelho na região do Vale do Rio Piancó, na Paraíba, e também no restante do país. Esse é o principal objetivo da Embrapa Meio Norte, que mantém experimentos para avaliação de variedades e linhagens e para gerar informações sobre técnicas de manejo. Em 2011, de acordo com o pesquisador José Almeida Pereira, será lançada a primeira cultivar de arroz vermelho no intuito de resgatar a cultura através do melhoramento genético.
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As pesquisas estão sendo feitas com cruzamentos entre sementes selecionadas. Os trabalhos de melhoramento começaram em 2004 e, agora, estão em fase de testes para avaliar o rendimento das sementes. Os experimentos são conduzidos há dois anos nos Estados do Piauí, Paraíba e Rio Grande do Norte. Segundo José Almeida Pereira, os cruzamentos são realizados entre cultivares derivadas das primeiras introduções da espécie no Brasil, as quais nunca passaram por qualquer processo de melhoramento.
— São tipos tradicionais, de baixo potencial produtivo, cultivados por agricultores da região, sem o uso de tecnologia. As variedades modernas já produzem pelo menos o dobro das antigas. As áreas produtoras no Nordeste são carentes de informação e tecnologia, o que acabou fazendo com que o arroz vermelho caísse na preferência dos consumidores e agricultores. As técnicas de manejo são as mesmas que as do arroz branco irrigado. É preciso água suficiente para atender a demanda dos arrozais por ambientes semi-aquáticos — analisa o pesquisador da Embrapa Meio Norte, considerando que, por ser diferenciado, o arroz vermelho deve ser produzido em bases orgânicas, ou seja, sem a utilização de venenos ou qualquer tipo de substância química para adubação, fertilização ou pulverização.
José Pereira diz que o estudo sobre a história do arroz no Brasil é feito desde 1991. Um dos pontos destacados pelo pesquisador é a diferença entre a modalidade vermelha cultivada e as plantas daninhas que aparecem nos arrozais brancos. Ambos os tipos são da mesma espécie. No entanto, as pragas surgem espontaneamente no meio de qualquer lavoura de arroz. E que, por isso, o agricultor não deve confundir os grãos vermelhos selecionados com os indesejáveis, mesmo porque ambos são iguais quando descascados.
Uma cultura milenar
A denominação arroz vermelho se deve à coloração avermelhada dos grãos. No passado, era amplamente cultivado em países asiáticos. No Brasil, foi trazido pelos portugueses em 1535, onde reinou até 1765. Primeiramente foi cultivado na Capitania de Ilhéus, o atual Estado da Bahia. Com o estímulo por parte da coroa portuguesa ao plantio de arroz branco, passou a ter espaço na região semiárida nordestina, concentrando-se no Vale do Rio Piancó, onde se encontra a maioria das plantações de hoje, com mais de mil propriedades rurais.
— A produção brasileira está concentrada na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Um fato interessante é que o território paraibano cultiva uma área três vezes maior que os potiguares. Porém, os sistemas de produção são bem diferentes e, atualmente, a produtividade paraibana é baixa por conta de sistemas arcaicos, sem irrigação. No Vale do Piancó nunca se plantou arroz branco por uma questão de valor cultural. Podemos afirmar que é um patrimônio genético nordestino — exalta José, destacando que o arroz vermelho possui muitos nutrientes, sendo utilizado até mesmo como remédio em algumas localidades de país. Pela cor avermelhada, caiu no gosto da gastronomia, surgindo como uma opção ao arroz branco, e até aos italianos, na confecção de saladas e risotos.
Para maiores informações, basta entrar em contato com a Embrapa Meio Norte pelo telefone (86) 3089-9148.
