O Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxicos do mundo em 2008, quando movimentou cerca de R$7 bilhões para a compra de pesticidas segundo a Associação Brasileira da Indústria Química. Para avaliar o risco que a população corre quando consome frutas ou legumes tratados com esses produtos, a Universidade de Brasília (UnB) estudou a ação dos agrotóxicos em nove alimentos comuns na dieta dos brasileiros.
Os testes de laboratório foram iniciados em 1998, com as culturas de laranja, banana, maçã, alface, batata e tomate, entre outras, todas submetidas ao programa de análise de resíduos de agrotóxicos em alimentos da Anvisa. A avaliação de risco foi feita para duas classes específicas de pesticidas: inseticidas organofosforados e fungicidas ditiocarbamatos.
Com relação aos resíduos de ditiocarbamatos, o uso de fungicidas não representou nenhum risco à saúde dos consumidores em nenhum dos nove alimentos. Já no caso dos organofosforados, constatou-se que o risco pode existir, mas apenas quando os alimentos estão muito contaminados pelo agrotóxico ou quando o consumidor possui uma alimentação pouco variada. A pesquisadora Eloisa Caldas, responsável pelo trabalho, explica:
— Pode existir um risco, por exemplo, se você decide fazer uma dieta à base de maçã e por sua má sorte aquela maçã tinha uma alta concentração de resíduos desses pesticidas que a gente avaliou, então, nessa situação, uma situação extrema onde há consumo muito grande de um alimento que continha uma quantidade considerável de pesticida, isso pode significar um risco para a saúde.
O perigo do uso de inseticidas organofosforados está no fato de que o produto age no sistema nervoso central do organismo, podendo causar neurotoxicidade. Apesar do risco, a conclusão final da avaliação, segundo Eloisa, é que as vantagens se sobrepõem aos riscos.
— Mesmo que haja alguma exposição a essas substâncias pelo consumo de alimentos que foram tratados no campo, a relação risco-benefício é baixa porque os benefícios que a população tem consumindo frutas e legumes variados são muito maiores do que qualquer risco que possa existir da exposição a essas substâncias através do consumo desses alimentos — declara a pesquisadora.