O encarecimento de produtos químicos, a necessidade de reduzir impactos ambientais e a evolução de doenças e pragas na última década foram alguns dos fatores que levaram produtores rurais a investir na aplicação de defensivos. Para acompanhar a evolução da tecnologia e descobrir maneiras de aumentar sua eficácia, a Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu (SP), em parceria com a Fundação MT, realiza pesquisas desde o ano 2000, na cultura da soja. Com os resultados obtidos até agora, foram definidos alguns parâmetros que, considerados em conjunto, podem levar ao desempenho máximo da tecnologia com o mínimo de perdas e o menor impacto ambiental possível.
De acordo com o pesquisador Ulisses Antuniassi, que está à frente do trabalho, os fatores básicos para a escolha da técnica de aplicação de produtos fitossanitários são o tamanho das gotas e o volume de calda. Ambos devem ser avaliados em conjunto para que se determine corretamente as necessidades da aplicação, como maior cobertura ou menor índice de perdas, e se faça um estudo do adjuvante a ser utilizado. Esses aspectos básicos precisam ser levados em consideração para que a aplicação tenha um resultado biológico adequado.
Além dessas questões, existem vários outros fatores que ajudam a definir a melhor técnica a ser empregada. Entre eles, estão as condições climáticas, como temperatura, velocidade do vento e umidade do ar. A observação desses aspectos diminui o risco de perdas, derivas e contaminações de outras áreas, aumentando o controle da aplicação. Antuniassi explica que esses são fatores que impõem limites operacionais para a aplicação:
— Aplicação em condições amenas, de temperatura baixa, umidade alta e pouco vento, por exemplo, possibilita o uso de gotas mais finas que oferecem melhor desempenho e maior padrão de cobertura. Esse cenário também favorece o uso de volume de calda mais baixo, que oferece melhor desempenho operacional para equipamentos e faz render mais hectares trabalhados. No entanto, se as condições são mais adversas, a técnica exige o uso de gotas maiores e volume de caldas maiores. Assim, as maquinas passam a ter um rendimento menor e oferecem menos hectares tratados.
Outro ponto abordado no estudo foi a comparação entre as aplicações terrestre e aérea. Após uma década de pesquisas, chegou-se à conclusão que, realizadas em condições adequadas, ambas podem apresentar um resultado muito semelhante. Em uma cultura de milho no final do ciclo, por exemplo, quando as plantas ficam altas e torna-se difícil trabalhar com máquinas, a aplicação aérea é mais adequada. Esta também é a melhor opção para um caso de aplicação emergencial ou corretiva, quando há necessidade de um grande rendimento operacional. Por outro lado, em aplicações que se pode ter mais tempo e evitar o custo suplementar do uso do avião, a aplicação terrestre é mais indicada.
À medida em que os produtores conhecem e aplicam a tecnologia, surgem novos questionamentos. Por isso essa é uma linha de pesquisa que não tem previsão de término.
— Por exemplo, a ferrugem da soja ficou muito importante nesses últimos dez anos mas hoje o mofo branco passou a ser uma das doenças mais importantes com maior dificuldade de controle, então já e uma necessidade de mais pesquisas e modificações no sistema de trabalho. O setor agrícola é muito variável e a necessidade que temos de trabalho não termina nunca — explica Antuniassi.