Alimento básico da população brasileira, o feijão é uma das principais fontes de proteína, calorias, vitaminas e fibras. Em todo o mundo, campanhas são lançadas constantemente para incentivar o aumento do consumo desse grão, que pode ajudar até na prevenção do câncer. O Brasil é o segundo maior produtor mundial, ocupando anualmente cerca de 5,8 milhões de hectares com a cultura. Apesar disso, a produtividade brasileira é baixa, principalmente por causa do pouco emprego de insumos e tecnologia. Para tentar reverter esse quadro, pesquisadores do Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM) avaliaram a eficiência da aplicação foliar de cálcio no feijão.
O aumento da produtividade de uma cultura pode ser atingido de duas maneiras: por meio do melhoramento genético da espécie ou da melhoria do ambiente onde ela deverá crescer. No segundo caso, a adubação assume grande importância, por isso a aplicação de cálcio se tornou o foco da pesquisa em questão. Atualmente, vários produtores já vêm utilizando o nutriente via aplicação foliar para garantir seu fornecimento às plantas.
O cálcio constitui a parede celular do feijoeiro, participa da germinação do grão do pólen e auxilia no crescimento do tubo polínico. Apesar de ser o terceiro nutriente em demanda pela planta, o cálcio não tem parâmetros de aplicação bem definidos, pois seu fornecimento é geralmente feito via corretivos ou fertilizantes fosfatados. A adequação desse suplemento à cultura levaria à manutenção do seu status nutricional.
A pesquisa foi conduzida em latossolo vermelho eutroférrico argiloso, na fazenda experimental da Faculdade de Ciências Agrárias da UNIPAM, em Minas Gerais. O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados em um esquema fatorial de 5x3x4, totalizando 15 tratamentos, sendo as testemunhas mais quatro doses de cálcio em três fases de desenvolvimento. Os pesquisadores fizeram quatro repetições, somando 60 parcelas experimentais, e avaliaram a vagem, a semente, a produtividade e o peso médio de 100 grãos.
A pesquisa realizada pela Unipam mostrou que a aplicação de cálcio foliar, em diferentes épocas de desenvolvimento do feijoeiro, não demonstrou diferenças significativas nas variáveis fitotécnicas analisadas. O cálcio é um elemento móvel na planta e a absorção do nutriente via foliar é bastante rápida, mas não há translocação para fora do órgão que recebeu esta aplicação.