O método da avaliação visual da estrutura do solo, muito utilizado na agricultura europeia, chegou ao Brasil em 2009, com o desenvolvimento e publicação do trabalho conduzido pelo Grupo de Qualidade Física do Solo em Sistema de Plantio Direto. Sob a coordenação dos pesquisadores Cassio Antônio Tormena, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Álvaro Pires da Silva, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), a parceria cinetífica conta ainda com a participação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
O Plantio Direto é mais econômico, prático e muito expressivo no país, entretanto ao longo do tempo há a possibilidade de ocorrer compactação nas camadas superficiais, devido ao tráfego de máquinas pesadas em condições de solo úmido. A introdução da técnica demonstra bom potencial de adaptação do modelo de cunho semiquantitativo à realidade dos produtores brasileiros. De acordo com Tormena, a consolidação da prática nas lavouras brasileiras depende apenas de treinamento específico para auxiliar agricultores e técnicos a entender e aplicar corretamente a metodologia.
— Trata-se de uma pré-avaliação que viabiliza a compreensão sobre a evolução física do solo dentro da propriedade. Enquanto o nível de nutrientes é facilmente observado com amostras em laboratório, a análise do aspecto físico requer testes mais demorados. Deste modo essa observação pode ser feita a campo — explica ele.
Situados nas regiões norte e sul do Paraná, os experimentos contemplam a integração de indicadores como aeração, disponibilidade de água e capacidade de penetração radicular dos vegetais. A partir da medição de amostras não deformadas e identificação de aspectos morfológicos do solo, o processo possibilita o aferimento das condições disponíveis para o crescimento das culturas, norteando a manutenção, apontando estágios de degradação e as ações de recuperação da área.
— A qualidade física não é adquirida com insumos químicos, mas se constrói por meio de manejo planejado, que possa resultar em condições propícias para uma produtividade equivalente ao potencial genético das culturas — ressalta.
Portanto, a preservação dos atributos do solo reduz os riscos de perdas nas safras sempre expostas às mudanças climáticas, garantindo maior estabilidade durante déficits hídricos curtos.