Usinas de cana poderão também produzir etanol de milho

Usinas flex são tendência cada vez mais forte dentro do cenário agroenergético brasileiro

Eliana de Souza Lima, Embrapa Meio Ambiente
Agroenergia

No final do mês de outubro, na Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), um workshop reuniu empresas do setor sucro-alcooleiro com o objetivo de discutir o contexto atual e cenários futuros favoráveis à instalação de estruturas para produção de etanol de milho, integradas às usinas de cana-de-açúcar no Brasil, denominadas “usinas flex”, bem como avaliar possíveis rotas tecnológicas para estes processamentos.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, Marília Folegatti, coordenadora do evento, nove empresas foram entrevistadas para se levantar informações que embasarão um estudo sobre o desempenho econômico e ambiental destes novos empreendimentos, a fim de orientar a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no seu financiamento. “As entrevistas nos permitiram definir os cenários mais prováveis para a instalação de usinas flex de etanol de cana e milho no Brasil, que serão analisados pela metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV, ou avaliação de desempenho ambiental) e também avaliados quanto à viabilidade econômica”, explica ela.

Participaram deste debate, além da Embrapa e do BNDES, a Universidade de São Paulo por meio da Escola Politécnica (EPUSP) e do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (PECEGE/USP) e o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), Campinas, SP.

Avaliação do Ciclo de Vida (ACV)
ACV é uma ferramenta de gestão que permite avaliar o desempenho ambiental de produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida. A ferramenta também se aplica à identificação dos estágios do ciclo de vida que mais contribuem para a geração de impactos; à avaliação da implementação de melhorias; à integração de aspectos ambientais ao projeto e desenvolvimento de produtos; e ao subsídio a declarações ambientais. É uma metodologia com forte base científica e reconhecida internacionalmente, sendo padronizada pelas normas ISO 14040:2006 e 14044:2006.

Em vários países a ACV é considerada para a formulação de políticas públicas. América Latina, México, Chile e Peru trazem em sua legislação a obrigatoriedade da realização de estudos de ACV para biocombustíveis. Segundo Marília, “exigências desta natureza podem vir a se constituir em uma barreira não-tarifária no comércio internacional, inclusive restringindo exportações brasileiras”, enfatiza.

Deste modo, além de subsidiar a implementação de novas políticas públicas ambientais, a ACV habilita o setor privado a ofertar produtos menos impactantes ao meio ambiente, e permite aos consumidores adotar um comportamento ambientalmente amigável.