Uso de carrapaticidas com responsabilidade ambiental

Por meio da degradação dos compostos orgânicos componentes de produtos altamente tóxicos, é possível eliminar resíduos sem poluir

Breno Fonseca
Sanidade Animal

Reduzir o impacto ambiental causado pelos resíduos de carrapaticidas utilizados na criação de bovinos. É com esse objetivo que a Embrapa Pecuária Sudeste lança um sistema de tratamento com peças de baixo custo para tratar, armazenar e descartar de forma correta os restos dos defensivos animais que podem contaminar o solo e a água de rios, além da fauna e da flora ciliares. Realizada em laboratório e em propriedades pecuárias, a pesquisa surgiu por conta da atual preocupação com a integração entre agricultura e meio ambiente.

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De acordo com a pesquisadora Ana Rita de Araújo Nogueira, o tratamento é feito com a degradação dos princípios ativos do carrapaticida, que passa a ser uma substância não-tóxica. Os compostos orgânicos componentes dos remédios são destruídos, portanto. Ana Rita conta que as taxas de degradação foram de 60% a 90%. Para adotar o sistema, o brete do curral deve ser cimentado, com um ralo para escoamento da água e dos resíduos que vão para o chão após a aplicação do produto.
 

Através de um cano, os carrapaticidas são direcionados por gravidade a um pequeno tanque. Quando não houver mais atividade, os resíduos são direcionados para um protótipo de 9 litros, construído com caixas de água de material polimérico, adaptadas com um agitador, controlado por uma pequena bomba. Com a orientação de técnicos especializados, reagentes químicos são adicionados ao líquido e, com a agitação, é feita a degradação do produto. Ao fim do processo, após neutralização, o resíduo pode enfim ser descartado em fossa séptica.
 

— O carrapato traz uma série de doenças ao gado, podendo gerar até mesmo mortes. Por ser endêmico, é muito difícil eliminá-lo totalmente. Por vezes, o carrapato adquire resistência aos produtos, o que exige que se utilize diferentes princípios ativos. O Conama institui a toxicidade das substâncias. Existe um volume mínimo que os próprios fabricantes indicam para a diluição correta. Se o gado é de leite, existe um período, normalmente de quatro dias, depois da aplicação que o leite deve ser descartado, assim como a carne abatida. Isso para evitar a contaminação do consumidor — explica Ana Rita.
 

Para maiores informações, entrar em contato com a Embrapa Pecuária Sudeste pelo telefone (16) 3411-5600.