O aproveitamento das fibras vegetais na produção de compósitos plásticos amplia a utilização de biomassa e valoriza um recurso natural disponível em território nacional. O pesquisador José Manuel Marconcini, da Embrapa Instrumentação Agropecuária, explica que o projeto visa modificar as propriedades de diversos tipos de materiais em busca de maior resistência mecânica.
A partir da geração do granulado de plástico misturado às fibras, processos de injeção e extrusão são aplicados, no sentido de medir o desempenho térmico para possível utilização em diversos segmentos industriais.
— Atualmente, temos alcançado sucesso com relação à rigidez de peças convencionais, adicionando fibras de sisal ao polipropileno. Para melhorar o desempenho, também temos estudado novas misturas com fibras de açaí e termoplástico com bagaço de cana-de-açúcar — revela.
Muitos materiais são passíveis de uso no cotidiano, e segundo o pesquisador, a difusão da manipulação em outros setores da indústria depende apenas de testes de padronização mais específicos. Um bom exemplo são as peças de acabamento da construção civil, que se já se equiparam às outras disponíveis no mercado.
A tecnologia abre uma perspectiva de diminuição do impacto ambiental causado pelos resíduos agroindustriais. Além disso, pode incentivar o plantio de culturas como o curauá, malva e juta, criando frentes de trabalho nas cadeias agrícolas e diminuindo a utilização de derivados de petróleo na composição do plástico.