O uso de fitoterápicos em ração de aves poedeiras é a novidade que a pesquisa desenvolvida pela doutora Ibiara Paz, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), oferece ao pequeno produtor rural. O trabalho visa manter a qualidade intestinal dos animais, melhorando a absorção e a produção, sem o uso de produtos químicos.
Segundo a pesquisadora, a demanda partiu da necessidade de gerar produtos mais naturais e também da observação de que os pequenos produtores tinham dificuldade em adquirir medicamentos industriais. Isso se deve ao fato de não conseguirem bons preços devido à pouca quantidade de produtos. Para resolver a questão, passou se a utilizar plantas medicinais, como o manjericão e a própolis.
— O manjerição possui óleos essenciais que melhoram a absorção de nutrientes e a qualidade instestinal, funcionando como um selecionador de bactérias benéficas ao organismo animal. Já a própolis, age como antibiótico prevenindo ação de fungos e bactérias. A partir disso, passou a ser pesquisado também qual a porcentagem ideal que deve ser incluída na ração, se vai melhorar ou manter a qualidade dos ovos e se vai gerar gosto ou não no ovo. Foi percebido que é possível colocar tanto a própolis quanto o manjericão seco e moído na ração. Esses fitoterápicos são fáceis de serem encontrados. O produtor poderá produzir- los na sua propriedade com baixo custo — explica a pesquisadora.
Os experimentos foram feitos no aviário experimental da universidade. Eles consistem em várias dietas e cada uma contém um tipo de ingrediente e um nível de fitoterápico que pode variar de 1% a 5% de inclusão no alimento. Durante um ciclo de 28 dias as aves consomem as rações e são utilizados de dois a três ciclos. A cada fim de ciclo é feito análises e avaliações da qualidade dos ovos tanto interna como externa, porcentagem de casca, dureza da casca, quantidade e peso dos ovos. Os ovos são coletados toda semana, já para investigar a integridade do instestino do animal, ele pode ser sacrificado.
Os resultados são animadores. Com a própolis, o instetino do animal se manteve mais íntegro do que quando não se utiliza nada. Quanto ao manjericão, a integridade instestinal e a produção de ovos se manteve adequada em níveis considerados bons. O manjericão não deixa sabor nos ovos, que era a maior peocupação dos produtores. Foram feitos testes sensoriais e a quantidade de 1% de manjericão seco na dieta que foi usado não causou alteração no sabor principalmente nos ovos das galinhas que se alimentam de farinha de carne na ração.
A pesquisadora acrescenta que o Brasil está caminhando para a exportação de ovos e uma barreira não tarifária é o bem estar das aves. Ela acredita que, se for possível estabelecer algum fitoterápico de baixo custo que o produtor possa utilizar, provalmente ele sairá na frente principalmente considerando o bem estar da ave.