Uso de plantas jovens de Amburana cearensis, uma alternativa de preservação e exploração da espécie

Suas sementes são escuras, aladas, exalam cheiro de cumarina, e são usadas como aromatizante e repelente de insetos para roupas e estantes

Margareth Santos
Meio Ambiente

A fim de garantir a preservação e o aproveitamento econômico da Amburana cearensis, foi proposto um modelo de exploração auto-sustentável, por meio da substituição da casca do caule da planta adulta por espécimes jovens, cultivados sob parâmetros agronômicos controlados. Um estudo multidisciplinar coordenado pela Embrapa Semiárido evidenciou a viabilidade técnica para produção de mudas de A. cearensis por semeadura.

A espécie é uma árvore típica da Caatinga, especialmente do Ceará, onde é conhecida como imburana-de-cheiro, cerejeira e cumaru, e tem aplicações comerciais, químicas e medicinais. Nativa do sertão nordestino brasileiro, ela pode ser facilmente encontrada em toda América do Sul. No entanto, o intenso uso comercial da árvore colocou a espécie sob risco de extinção, já que a simples remoção da casca do caule – parte medicinal – causa graves danos à planta.

Durante o experimento, os extratos etanólicos foram quimicamente caracterizados através de técnicas cromatográficas e espectrométricas. Após a realização de testes de atividade farmacológica in vivo, os extratos demonstraram ser equivalentes ao obtido da planta silvestre. O êxito da pesquisa sinaliza perspectivas promissoras para o uso racional de A. cearensis como matéria-prima para laboratórios farmacêuticos, além de se assegurar a sua preservação na Caatinga Nordestina.

A árvore atinge até 15 metros de altura e 50 centímetros de diâmetro, possui flores brancas, vagem achatada e escura, além de casca com odor de cumarina – aroma semelhante ao da baunilha. Suas sementes são escuras, aladas e também exalam cheiro de cumarina. Elas são usadas como aromatizante e repelente de insetos para roupas e estantes. Com o nome de cerejeira-do-nordeste, sua madeira é utilizada na fabricação de móveis, portas e janelas, devido à sua durabilidade.

As cascas do caule são empregadas na preparação caseira do “lambedor” e na produção industrial do fitoterápico xarope de cumaru – produzido pelo Programa Farmácias Vivas, Farmácia-Escola/UFC e laboratórios privados –, em virtude de suas propriedades terapêuticas cientificamente comprovadas e usadas para tratamento de afecções respiratórias, como asma, bronquite e resfriado.


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