Uso de plástico leitoso pode prejudicar a produção de morangos

Pesquisas realizadas no Oeste de SC pela Epagri, revelaram que o filme leitoso usado em estufins ou túneis baixos, comparado ao filme transparente convencional, não fez com que as plantas produzissem mais no verão

Eduardo Cesar Brugnara
Manejo

Nos últimos anos os produtores de morango tem migrado das cultivares convencionais para as de dias neutros, que produzem praticamente o ano todo. Ao contrário das cultivares convencionais, as de dias neutros não dependem do comprimento do dia/noite para emissão de flores. Apesar disso, as altas temperaturas no verão podem reduzir a produção e afetar a qualidade das frutas.

O cultivo sob filmes de polietileno apresenta vantagens em relação à produção a céu aberto. Filmes de polietileno de baixa densidade leitosos, com adição de pigmentos que reduzem a transmissão luminosa, vêm sendo largamente utilizados em cultivos de morangueiro em substituição aos filmes convencionais, mais translúcidos. O objetivo do uso desses filmes menos transparentes é reduzir a incidência de luz solar direta e com isso a temperatura do ar, na tentativa de melhorar a produção no verão, quando os preços são melhores já que a oferta de morangos é menor.

É conhecido que o sombreamento do morango com telas reduz a produção. Da mesma forma, pesquisas recentes realizadas no Oeste de Santa Catarina pela Epagri, revelaram que o filme leitoso usado em estufins ou túneis baixos, comparado ao filme transparente convencional, não fez com que as plantas produzissem mais no verão, apesar de ter reduzido a temperatura. De fato, dependendo da cultivar a produção pode ser bem menor com o filme leitoso. Foi verificado também que esse filme reduz o teor de açúcar dos morangos e a quantidade de folhas emitidas. Provavelmente esse prejuízo se deva a menor quantidade de luz que as plantas recebem desde a época em que o filme é colocado, no inverno, algumas semanas após o plantio. Com isso, a fotossíntese, responsável pela energia necessária ao crescimento e a produção, provavelmente seja reduzida.

Como o calor excessivo, no Sul do Brasil, ocorre no verão, uma alternativa poderia ser o uso de filme transparente no inverno e primavera, que seria substituído pelo filme leitoso com o início da estação mais quente. Com isso as plantas cresceriam normalmente até o início do sombreamento. Mas isso precisa ser testado para depois ser recomendado aos produtores.