O uso sustentável da água na agricultura visto pela psicologia ambiental. Esse é o objetivo do trabalho do pesquisador Francisco Eduardo de Castro Rocha, da Embrapa Cerrados. Cerca de 600 famílias de agricultores familiares de 11 microbacias do Distrito Federal serão entrevistadas para o estudo do comportamento humano com relação à conservação de nascentes, preservação de matas ciliares, uso racional da irrigação, manejo de solo e gestão de resíduos, como agrotóxicos, adubos e dejetos de animais.
Para facilitar a adoção de técnicas que garantam o uso sustentável da água nas plantações, serão analisados seis núcleos rurais: Pipiripau, Taquara, Santos Dumont, Rio Preto, Tabatinga e Jardim. Através de dias de campo, cursos, excursões para troca de experiências e questionários, os produtores rurais serão informados sobre as práticas a serem adotadas. Serão feitos testes de dados qualitativos e quantitativos, com métodos de avaliação de programa e o suporte teórico da psicologia.
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"Não adianta pensar |
As atividades vão durar cerca de três anos. A avaliação qualitativa foi a primeira etapa do trabalho e possibilitou a descoberta de que o uso da água na agricultura não está somente relacionado ao racionamento na irrigação. O pesquisador comenta que existem outras variáveis na utilização dos recursos hídricos.
— Pelas entrevistas, vimos que o trabalho com os agricultores é em termos de irrigação. Porém, a questão das nascentes ainda é insegura. Não adianta pensar só em irrigação, porque as nascentes podem acabar. O sistema precisa de uma sustentabilidade que garanta que gerações futuras continuem a usufruir desse bem natural — destaca.
Mesmo assim, Francisco Rocha ressalta que já é possível detectar produções com tecnologias de sustentabilidade. O uso de estufas e das técnicas de gotejamento na irrigação são algumas delas, que demonstram a preocupação com futuro dos recursos hídricos.
— Eles já estão indo nessa direção que estamos estudando. Mas ainda falta muita coisa em termos de intervenção do Estado e da área técnica. Tem que ter maior mobilização — alerta.
