Juntas ou separadamente, três metodologias sustentáveis de recolhimento, filtragem e aquecimento de água, apresentadas na Expodireto Cotrijal, estão mudando a forma de utilização dos recursos hídricos na propriedade rural, conforme a coordenadora regional de bem-estar social da Emater/RS-Ascar de Passo Fundo, Doriana Gozzi Miotto. “Todas elas têm em comum principalmente o baixo custo de implantação, a utilização de material reciclado e a economia de energia, além do forte aspecto da preservação ambiental”, explica a extensionista.
Localizada no Espaço da Família Rural, da Emater/RS-Ascar, a parcela Usos Múltiplos da Água está demonstrando funcionamentos de cisterna para coleta do recurso, filtro de passagem lenta e aquecedor solar, em operações de manejo que podem interagir de forma complementar ou não. “Ou seja, qualquer um dos projetos trará ganhos importantes para a família, no casa ou na atividade econômica”, diz o extensionista Dieter Windmöller, do Escritório da Emater/RS-Ascar de Erval Seco.
Dentre as três, o filtro de passagem lenta de areia com mantas sintéticas não tecidas é a novidade que vem para aperfeiçoar a captação e o aquecimento da água. Depois de captada na cisterna, a água é pré-filtrada em um reservatório onde ocorre a sedimentação, seguindo para um filtro que possui um fundo falso onde é colocado pedrisco (brita fina). "Aqui o processo é lento, ou seja, em um metro quadrado de filtro são filtrados de dois a quatro metros cúbicos de água”, diz Doriana, referindo-se ao cálculo do dimensionamento da necessidade da propriedade.
Após a primeira filtragem, a água segue para o segundo filtro onde são misturados tipos de areia, desde a mais fina até a mais grossa. “É importante que a camada de filtro tenha cerca de 60 cm de espessura para suportar em torno de um metro de água”, ensina a extensionista. Para que a filtragem seja eficaz é utilizado um produto à base de poliamida, posicionado sobre a camada de pedra ou areia, facilitando a higienização do filtro. As principais vantagens do filtro de passagem lenta são a redução da turbidez (cor da água) em até 90% e dos coliformes totais, obtendo redução de 99,99%, afirma Doriana. Entre outros cuidados, Doriana ressalta que a brita e a areia devem ser previamente lavadas e desinfectadas em água potável e sanitária.
Aquecedor
O aquecedor solar demonstrado no espaço da Emater/RS-Ascar consiste em uma unidade de aquecimento de água através de uma estrutura montada com canos de PVC, caixas de leite UHT e embalagens PET, além da utilização de uma caixa d’água adaptada, que pode atender as necessidades da cozinha, do chuveiro ou mesmo na atividade leiteira. Neste último caso, geralmente são utilizados aquecedores elétricos que alcançam em torno de 70°C para a lavagem das ordenhadeiras.
No caso do aquecedor solar, a água alcança até 60°C, necessitando que o restante seja aquecido. “Porém, a economia é considerada grande visto que o gasto maior é tradicionalmente no aquecimento da água a partir de 25°C (temperatura normal da água saída da torneira), até 45° a 50°C”, detalha Dieter Windmöller.
O dimensionamento do aquecedor solar é proporcional à quantidade de água e de material. Para cem litros de água, por exemplo, são necessárias cem garrafas de embalagem PET e cem caixinhas de embalagem UHT. Qualquer uma das metodologias de uso múltiplo da água demonstradas no Espaço da Família Rural, na Expodireto Cotrijal, recebe o acompanhamento da Emater/RS-Ascar na promoção de alternativas econômicas e sustentáveis para a agricultura familiar.