Representantes da cadeia produtiva do pêssego formaram uma comissão de trabalho para conseguir a indicação geográfica do fruto nos municípios da região de Pelotas, Rio Grande do Sul. Uma vez aprovada pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), a certificação orientada pela Embrapa Clima Temperado confere um diferencial ao produto local, favorecendo os consumidores em qualidade e agregando valor de comercialização no mercado. O pesquisador Luis Eduardo Antunes conta que as partes interessadas estão reunindo os documentos necessários e que avaliação efetiva deve estar terminada dentro de dois anos.
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O processo exige diversas provas documentais, que vão desde características geográficas, de solo e clima, até uma comprovação do histórico da cultura e da implantação do sistema de produção integrada do pêssego na área. A partir desse levantamento, o INPI vai processar as informações contidas na justificativa para autorizar ou não o registro solicitado.
— A introdução de variedades mais tolerantes a intempéries e doenças, aliada à boa interação climática das fruteiras, dão origem a um pêssego diferenciado, de acidez peculiar. Vários estudos têm mostrado que, mesmo processados, esses frutos mantêm as características nutricionais e nutracêuticas da fruta in natura, o que é mais um diferencial, uma sobremesa com propriedades especiais — afirma.
Antunes diz que, embora hajam algumas limitações, a expectativa de conseguir a indicação é muito positiva. Além da constante introdução de cultivares mais adaptadas, os pomares locais contam com o apoio tecnológico da equipe de pesquisas da Embrapa. Ultimamente, o intuito é desenvolver porta-enxertos mais adequados para resolver o problema da morte precoce do pessegueiro. Nos últimos anos, materiais introduzidos pelo programa de melhoramento já aumentaram o período de safra de 30 dias para cerca de 120 dias.
— Vários produtores já adotam o modelo produtivo normatizado pelo MAPA, prevendo o processo de rastreabilidade de produção, utilização de cadernetas de campo para registrar todos os procedimentos ocorridos e uso correto de agrotóxicos quando se fizerem necessários para que o produto chegue à indústria. Por outro lado, a indústria de processamento da compota tem que adotar boas práticas de fabricação, garantindo essa fruta que vai dentro da lata. Deste modo, pode haver a garantia que esse produto chegue ao mercado de forma padronizada e segura— explica.
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