Uma equipe multidisciplinar da Embrapa Milho e Sorgo está testando uma variedade de milho com altos teores de vitamina A. Voltado para a agricultura de subsistência, o projeto compõe uma iniciativa internacional que atende à demanda relativa à carência nutricional nas comunidades rurais em boa parte do mundo. Melhorista responsável pela iniciativa na unidade, Paulo Evaristo de Oliveira Guimarães afirma que o Brasil ocupa posição estratégica porque reúne todas as características para o bom andamento das pesquisas.
|BARRA_AUDIO|
— A situação nacional é ideal para o desenvolvimento das observações desde o nível básico até o aplicado. Temos deficiência nutricional, um programa nacional forte e plantio estabelecido das culturas mais plantadas por agricultores dentro desse perfil. Já temos mandioca, batata doce, feijão caupi, feijão comum e abóbora — explica ele.
Com uma média de oito microgramas, a cultivar apresenta cerca de quatro vezes mais vitamina que as tradicionais. Avaliadas agronomicamente sob aspectos de produtividade e porte em mais de vinte locais do país, desde a última safra, a cada cem espigas colhidas, vinte apresentam superioridade. O intuito é selecionar um material produtivo que apresente maior valor nutricional como bônus.
— Nós temos resultados prévios muito bons, mas precisamos tomar cuidado porque a expressão de algumas características podem não ser iguais em outros lugares. Nós estamos observando a estabilidade do material, que é a capacidade de expressar essa pró-vitamina em vários ambientes. Além disso, comparada a outras 30 variedades, obtivemos produtividade média. Caso a performance se mantenha, o lançamento deverá ocorrer no próximo ano — diz Guimarães.
Sob a coordenação da cientista de alimentos, Maria Cristina Dias Paes, as avaliações laboratoriais identificam as substâncias de maior interesse para o grão fortificado. Essas análises químicas garantem a qualidade das linhagens utilizadas pelos melhoristas para obtenção do produto final. Ela revela que o material atual levou cinco anos para alcançar combinações com altas concentrações de ferro, zinco e carotenóides, um pigmento que se transforma em vitamina A no organismo humano.
— O objetivo é combater doenças muito frequentes em populações menos favorecidas, a exemplo da hipovitamonose A e anemia, problemas de saúde pública brasileira. Outro benefício para o produtor é o fato desses pigmentos também estarem ligados à coloração das carnes de aves e gema do ovo — revela Maria Cristina.