O greening é a pior doença da citricultura brasileira. Ela é uma bacteriose transmitida pelo inseto psilídeo e afeta os vasos da planta cítrica, fazendo com que ela se torne improdutiva e devastando a lavoura. Pela gravidade, as plantas contaminadas com o greening devem ser erradicadas da plantação. Acabar totalmente com a doença é muito difícil, mas existem algumas formas de combate que podem reduzir bastante o impacto nas lavouras. Além do monitoramento de insetos e sintomas, erradicação das plantas doentes e aplicação de produtos químicos a Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura) mostra que a união dos produtores pode ser muito eficiente contra a doença. Estudos feitos pelos pesquisadores indicam que o manejo regional, em que as propriedades vizinhas produtoras de citros adotam um manejo coordenado, consegue controlar até 15 vezes mais o greening.
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— Comparamos o manejo adotado por um única propriedade em que as propriedades vizinhas não estavam fazendo o controle e outra em que toda a vizinhança adotava o manejo da doença. Existe uma diferença muito grande. Nos até locais em que o manejo era feito de forma regional o controle foi até 15 vezes maior. Mostramos que melhor será o resultado do manejo se os produtores se unirem, conversarem, adotarem medidas conjuntas desde inspeção das lavouras, controle da doença, uso de produtos e eliminação das plantas contaminadas. Uma das medidas é o controle do inseto vetor. Se uma aplicação for feita hoje em uma propriedade e não em toda a vizinhança, o inseto de outras propriedades podem voar para o pomar que está sendo controlado e prejudicar o manejo. Os produtores devem se unir e estabelecer datas para aplicação de produtos, por exemplo, fazendo as aplicações na mesma semana de forma coordenada — explica Cícero Augusto Massari, gerente do Departamento Técnico do Fundecitrus.
Massari explica que o controle regional é importante porque os insetos se deslocam de uma propriedade para outra voando ou sendo levados pelo vento. Ele diz que a capacidade de voo do pisilídeo até é pequena, mas o raio de propriedades que ele pode atingir pode passar os três quilômetros dependendo da força do vento que está carregando o inseto. Ele esclarece que existem duas formas distintas de contaminação uma da lavoura: a primária e a secundária. A secundária corre quando o inseto-vetor transmite a bactéria dentro do próprio pomar do produtor prejudicado. Mas existe a infecção primária, em que o inseto vem de fora, de uma propriedade vizinha e contamina o pomar. Por isso o manejo regional é tão importante.
Os produtores devem formar o que Massari chama de condomínio de propriedades que atuem em conjunto. Os cuidados tomados pelos citricultores vizinhos começam pela aquisição de mudas sadias, livres de patógenos. Após o plantio, é preciso que os agricultores monitorem a lavoura percorrendo a plantação para identificar a presença do psilídeo ou os sintomas do greening, com o amarelecimento e distorção dos frutos. Quando for identificada uma planta contaminada é preciso que ela seja erradicada e descartada em um local que não seja possível a contaminação com o resto da lavoura. Isso deve ser cobrado pelos produtores vizinhos, em conjunto. No caso de presença dos insetos, é preciso fazer aplicações químicas e o ideal é que seja estabelecido um período único para a aplicação de toda a vizinhança.
