Zebuínos: precocidade sexual reduz custos da atividade

Antecipação da idade reprodutiva preserva desempenho e aumenta produtividade

Nivea Schunk
Manejo

No tradicional modelo reprodutivo de zebuínos, uma parcela significativa das novilhas do rebanho nacional permanecem improdutivas durante um período médio de três anos. Uma simulação feita em 2005 concluiu que, das 170 milhões de cabeças existentes no Brasil, cerca de 33 milhões se encaixavam nesse perfil. Resultados dos trabalhos sobre precocidade sexual, conduzido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp Jaboticabal) em parceria com a Agropecuária Jacarezinho, integram a programação de palestras da próxima edição do Simcorte, no município de Viçosa, Minas Gerais. A ideia é antecipar a idade reprodutiva das fêmeas para reduzir custos e dinamizar o sistema produtivo. A pesquisa comprova que além de não comprometer o desempenho animal, a prática aumenta os rendimentos dos produtores rurais.

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Veterinária e doutora em genética animal, a professora Lucia Galvão de Albuquerque, conta que  o próximo passo é o estudo das técnicas moleculares com um chip de alta densidade, capaz de identificar 850 mil marcadores para um conhecimento mais aprofundado do genótipo dos animais. Segundo ela, o desenvolvimento de modelos para aferição, viabilizará informações mais detalhadas acerca das diferenças entre os indivíduos.

— Esse ciclo produtivo com fêmeas entrando em reprodução aproximadamente aos 48 meses é muito longo e caro. No entanto alguns produtores evitam a antecipação, temendo que o animal não tenha peso adulto adequado e desmame bezerros mais leves. Tem muitos grupos trabalhando nessa área em vários aspectos. A seleção para reprodução está associada a outros atributos de bom crescimento e terminação mais rápida. A pesquisa tem sido no sentido de identificar touros que tenham filhas sexualmente mais precoces para encontrar características que expressem essa  condição — diz a pesquisadora.

Uma das alternativas mais usadas para o processo seletivo é o perímetro escrotal do touro. De fácil mensuração, a característica está relacionada à precocidade sexual das filhas, auxiliando na diminuição da puberdade dos filhotes. Outras variáveis como idade da primeira cria e ocorrência de prenhez também podem ser utilizadas para o estudo. Porém há a restrição de ainda ser muito pequeno o número de fêmeas que conseguem parir por volta dos 14 a 18 meses. De acordo com a veterinária, já seria um grande avanço para o Brasil reduzir a idade reprodutiva para 24 meses.

— Em rebanhos bem manejados em termos de alimentação e sanidade, a técnica mais fácil para se antecipar essa reprodução é expor os animais ao processo o mais cedo possível, em torno de 14 meses. Outra recomendação é o produtor começar a usar sêmen de touros avaliados para essa característica de gerar filhas mais precoces. Utilizar sêmen que tenha avaliação genética para essas características, que podem ser idade de primeira cria ou ocorrência de prenhez, é uma forma de utilizar o que está sendo desenvolvido nos rebanhos de seleção a favor da produtividade nas fazendas— explica.