Os níveis de perdas devido a riscos climáticos para a cultura do milho podem ser grandes, segundo a Embrapa Milho e Sorgo. Há constatações que chegam a apresentar valores de 21% nas regiões onde a tecnologia era mais desenvolvida e 70% nas regiões onde praticamente não se aplica tecnologia. Com esses níveis de perdas, a atividade agrícola básica tendia a tornar-se cada vez mais inviável, impossibilitando que os produtores rurais continuassem arcando com os elevados custos do seguro agrícola.
No entanto, a partir do zoneamento de riscos climáticos, a seguridade agrícola tomou novos rumos. O plantio de milho na época adequada, embora não tenha nenhum efeito no custo de produção, afeta o rendimento e, consequentemente o lucro do agricultor. Para a tomada de decisão quanto à época de plantio, a Embrapa considera que é importante conhecer os fatores de riscos, que tendem a ser minimizados quanto mais eficiente for o planejamento das atividades relacionadas à produção. O agricultor tem que estar consciente de que a chance de seu sucesso deve-se a seu planejamento, e que este depende de vários elementos, dentre eles os riscos climáticos a que está sujeito.
As respostas diferenciadas dos genótipos à variabilidade ambiental, ou seja, à interação genótipo e ambiente, significam que os efeitos genotípicos e ambientais não são independentes. Daí a importância de conhecer a época de plantio, analisando todo o ciclo da cultura, procurando prever as condições ambientais em todas as suas fases fenológicas.
Há de se ressalvar, contudo, que o zoneamento de riscos climáticos confronta-se com dificuldades em relação às variações ambientais não previsíveis e a fatores complexos, pela falta de correlação entre os desempenhos do genótipo nos ambientes.
No entanto, o zoneamento de riscos climáticos para o milho é uma ferramenta de conhecimento importante. Pois permite a indicação da época de semeadura, período em que a cultura tem maior probabilidade de desenvolver-se em condições favoráveis.
No Brasil Central, por exemplo, mais especificamente na região de cerrado, embora o cultivo do milho seja feito em diversas condições climáticas, considerando a variabilidade temporal e espacial do clima, pode-se observar que, durante todo o ciclo da cultura, a temperatura é superior a 15ºC e não ocorrem geadas. A temperatura noturna, em alguns locais, é elevada (maior que 24ºC), o que afeta o desempenho das plantas, principalmente no período coincidente com aquele entre emborrachamento e grão leitoso, reduzindo a produtividade.
De forma geral, pode-se dizer que, nessa região, a melhor época de semeadura é entre setembro e novembro, dependendo do início das chuvas. A produtividade, geralmente, é mais alta quando as condições do tempo permitem o plantio em outubro. Depois disso há uma redução no ciclo da cultura e queda no rendimento por área.
Trabalhos de pesquisa no Brasil Central mostram que, dependendo da cultivar, atraso do plantio a partir da época mais adequada (geralmente em outubro) pode resultar em redução no rendimento em até 30 quilogramas de milho por hectare por dia.
Com o objetivo de estabelecer a época de plantio de milho de sequeiro para as diferentes regiões, foi desenvolvido um estudo para recomendação das épocas de plantio em função dos períodos críticos da cultura a estresse hídrico. Nesse trabalho, além de ser considerado o fator climático precipitação (intensidade e distribuição) e os elementos temperatura, vento, umidade relativa e radiação na estimativa da demanda de água pela planta, levaram-se também em consideração aspectos fisiológicos da planta e características físico-hídricas dos solos.