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     04/07/2026            
 
 
    

A mangabeira e o cajuzinho florescem no final da estação seca ou no início da estação chuvosa nos meses de setembro e outubro. Neste ano, as chuvas no final do mês de agosto e em setembro, em algumas regiões de Cerrado, propiciaram condições ambientais favoráveis à proliferação da antracnose, doença de origem fúngica que ataca tanto as mangabeiras quanto os cajueiros. A produção de frutos destas plantas é afetada pelas chuvas no período de frutificação, pois são extremamente susceptíveis a essa doença. Assim, sorvetes ou sucos de mangaba e cajuzinho (produtos advindos da agricultura familiar local e que vem sendo valorizados em cidades históricas como Goiás Velho e Pirenópolis ou mesmo Goiânia e Brasília) serão raridade em algumas regiões este ano.

A antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum, ataca também as folhas e os ramos. O sintoma é bem característico, com lesões necróticas nas folhas, muitas vezes iniciando-se na nervura central. O fungo também causa a queda de flores e o abortamento prematuro de frutos ainda em estágio de formação. Nos frutos do cajueiro, as lesões aparecem nas castanhas, causando escurecimento e apodrecimento do fruto, que seca e, muitas vezes, permanece aderido à planta, sintoma conhecido como "mumificação". Nas mangabas, as lesões aparecem como manchas avermelhadas com pequenos pontos escuros no centro. Essas manchas expandem-se, penetrando a polpa e apodrecendo o fruto que cai prematuramente. Sob alta umidade, as lesões adquirem uma coloração rosa-salmão, caracterítica que ajuda a identificar a doença. Os galhos afetados secam a partir das extremidades (seca descendente).

Não existem fungicidas registrados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para mangabeiras ou cajueiros do Cerrado, pois essas duas fruteiras ainda não possuem um sistema de produção em escala comercial, e, com isso, não atraem a atenção das grandes companhias produtoras de defensivos agrícolas. Portanto, para diminuir a incidência da doença na próxima safra, a forma mais prática é a retirada das folhas, frutos e inflorescências com sintomas, além da poda sanitária durante o inverno (estiagem) retirando os galhos secos. Recomenda-se aplicar a calda bordalesa nos galhos podados, evitando que eles se tornem portas de entrada para novas infecções.

A mangaba e o cajuí têm grande potencial econômico, tanto para consumo da fruta em si quanto para servir de matéria-prima em sorvetes, sucos e doces na indústria de alimentos. No entanto, faltam investimentos em pesquisa básica para gerar informações que ajudem no processo de domesticação dessas duas fruteiras. Sem isso, vamos continuar dependendo do extrativismo, com sua limitada oferta de frutos, e o potencial dessas nativas do Cerrado permanecerá subexplorado.
 

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