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     05/07/2026            
 
 
    

A sanidade do rebanho bovino brasileiro é uma das principais barreiras para sua comercialização e há uma tendência do mercado da carne em aumentar as exigências em relação à qualidade sanitária. Como resultado da crescente preocupação da Defesa Sanitária em avançar no controle das principais doenças que depreciam e comprometem a produtividade e a credibilidade da pecuária nacional, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) criou esse programa porque identificou nessas duas enfermidades a necessidade de saneamento dos rebanhos bovinos e bubalinos. Sabendo disso, a Embrapa Pantanal iniciou um projeto para avaliar os custos de implantação e possíveis adequações do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT) à pecuária extensiva de corte na região do Pantanal.

Este texto trata dos primeiros resultados obtidos pela Embrapa Pantanal no desenvolvimento desse projeto, que consiste em resgatar a percepção dos produtores sobre as doenças, o programa e sobre o trabalho dessa empresa na difusão de tecnologias aplicadas à pecuária pantaneira.

Os sindicatos rurais dos municípios pantaneiros, além do sindicato rural de Campo Grande (MS), foram contatados para a realização de uma mesa redonda para discutir o programa  e a melhor forma de implementá-lo na região. Corumbá e Rio Verde responderam ao convite reunindo seus associados que corresponderam satisfatoriamente em discutir as questões abordadas. Além disso, foram entrevistados individualmente 15 produtores, residentes na cidade de Campo Grande. Podemos caracterizar o público entrevistado em produtores das sub-regiões da Nhecolândia, Paiaguás e alguns casos isolados na região de Aquidauana e Miranda, além de uma minoria de entrevistados com fazendas na região de Rio Verde.

Em geral as propriedades apresentam-se com mais de 4 mil hectares, presença de pastagem nativa e produção de bezerros no sistema extensivo tradicional pantaneiro. Mesmo assim, encontramos produtores que implantam tecnologias e práticas de manejo diferenciadas, tais como a estação de monta e o acompanhamento dos índices produtivos do rebanho. Esse perfil ocorreu principalmente em propriedades administradas por indivíduos com idade inferior a 50 anos e com formação profissional na área agrária ou que emprega esse tipo de consultoria. Os participantes de Rio Verde são um público distinto, as fazendas são menores, possuem áreas com pastagem cultivada e atividade pecuária de ciclo completo.

Algumas dificuldades como o custo elevado de produção, principalmente em relação aos insumos, a dificuldade em fixar mão-de-obra no campo devido a deficiências no sistema de ensino rural e o baixo preço alcançado pelo produto foram as reclamações mais comuns.

Nas propriedades em Rio Verde, diferente das demais, o transporte, a conservação de produtos refrigerados, a pressão ambientalista e a movimentação do rebanho para o manejo geral não foram citados como fatores limitantes para o emprego de tecnologias no sistema produtivo local.

Em dezembro de 2007, a Embrapa Pantanal realizou o “Workshop sobre a cadeia produtiva bovina no Pantanal Sul-Mato-Grossense”, reunindo representantes de todos os segmentos atuantes nesse mercado e obteve resultados muito semelhantes em relação a preocupação com questões ambientais, valoração do produto pecuário, “gargalos” da cadeia produtiva, e situação sanitária em relação à febre aftosa. Essa doença é atualmente a principal barreira econômica na comercialização do produto bovino pantaneiro. Apesar dessa região apresentar resultados satisfatórios indiscutíveis nos últimos monitoramentos sorológicos, realizados pelas autoridades responsáveis pela Defesa Sanitária Animal, a preocupação ainda existe e pode, a qualquer momento, desvalorizar seu produto, no caso de surgimento de novos focos em áreas fronteiriças.

A brucelose é reconhecida como enfermidade que causa importantes prejuízos à pecuária, mas a quantificação do seu impacto real no pantanal não é possível, pois, além da possibilidade de confusão entre causas nutricionais, sanitárias e genéticas, a maioria dos produtores não registra índices zootécnicos do seu rebanho (taxa de gestação, desfrute, taxa de nascimento), o que dificulta a identificação da origem das perdas produtivas. Todos concordam que a vacinação é uma forma correta para combater a doença, capaz de minimizar os prejuízos causados pela brucelose, mas reclamam da burocracia para aquisição do produto.

Os pesquisadores preocupam-se com o fato de que no manejo tradicional, quando se realiza o trabalho de gado uma única vez ao ano, há chance de fêmeas receberem a vacina com idade superior a oito meses e isso pode superestimar valores de prevalência em estudos futuros. A implantação de manejo reprodutivo com estação de monta definida pode ser a opção mais viável de evitar esse transtorno. Além disso, a utilização de vacinas elaboradas a partir de cepas rugosas de Brucella abortus, seria uma excelente alternativa, desde que o custo fosse praticável.

A tuberculose é desconhecida da maioria dos entrevistados, mas todos acreditam que esta enfermidade não seja um problema frequente, pois não recordam sobre a ocorrência de animais rejeitados no frigorífico por apresentarem lesões suspeitas de infecção por Mycobacterium bovis.

Todos os produtores estão cientes das suas obrigações para com o PNCEBT, entretanto, com exceção dos médicos veterinários habilitados pelo programa, os entrevistados não sabem sobre a adesão voluntária à implantação de propriedade monitorada pelo PNCEBT. Ao serem esclarecidos sobre o assunto, não identificam benefícios reais na certificação, pois há perda de receita com o abate sanitário e não é pago preço diferenciado pelo produto proveniente de propriedades certificadas. Muitos produtores manifestaram que os programas oficiais de defesa sanitária têm caráter punitivo, precipitado e instável, o que desestimula o segmento a acreditar nessas iniciativas.

A Embrapa Pantanal disponibiliza publicações online com resultados de suas pesquisas destinadas a produtores, acadêmicos e técnicos, além de textos divulgados em diferentes formas de mídia, programas televisionados, em rádio e jornais. Apesar disso, muitos entrevistados na cidade de Campo Grande e Rio Verde e principalmente os médicos veterinários, não conhecem o trabalho, não aplicam as suas tecnologia

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