
O palmito brasileiro adveio, inicialmente, da exploração extrativista da juçara (E. oleraceae) e, a partir do anos 80, depois de esgotadas as reservas desta espécie na Mata Atlântica, passou a vir do açaí (E. oleraceae) no Amapá e Pará, que são os maiores produtores e exportadores do palmito em conserva oriundo do extrativismo. Este tipo de exploração levou o IBAMA a colocar a juçara na lista das espécies ameaçadas de extinção, pois a mesma não perfilha e, consequentemente, não possibilita a regeneração das populações nativas. A partir da Rio 92, ficou proibida a extração de palmitos selvagens de juçara ou açaí, acordo vigente a partir do ano 2000. A partir de 1994, as exportações para a França caíram em 50%, principal comprador, que passou a importar palmito da Costa Rica. A partir do mesmo ano, os plantios cultivados de pupunha passaram a ser incrementados no Brasil.
Qual o tamanho do mercado de plantio?
O agronegócio do palmito é relativamente novo, no Brasil e no mundo, com um Valor Bruto de Produção estimado em US$ 500 milhões. Na última década, a atividade deixou de ser eminentemente extrativa, assim como foi reduzida a industrialização clandestina. O acirramento da questão ambiental, a quase extinção das espécies nativas na Mata Atlântica, o raleamento dos estoques de açaí nos estados do Pará e Amapá, o crescente aproveitamento dessa palmeira para a colheita de frutos, aliados às exigências dos consumidores e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), têm induzido, mais recentemente, a dois grandes movimentos: a) à extração organizada em planos de manejo, onde a legislação e a “pressão” ambientalista o permitam; e b) ao cultivo de espécies nativas e de exóticas, em todas as regiões do País e em quase todos os Estados. Os resultados desses movimentos já são perceptíveis: a reordenação do segmento extrativo-industrial em Belém: extração via planos de manejo, maior atenção à qualidade, palmito ecológico; a instalação de novos grupos empresariais no Sul da Bahia e no Vale do Ribeira (SP); a reordenação das agroindústrias tradicionais, no Sul do País; e o incremento da atividade em Santa Catarina e no Paraná, via projetos de cultivo.
Em 2007, o Brasil produziu 61.429 toneladas, o que representa uma área colhida de 10.035 hectares. As regiões Centro-Oeste e Nordeste foram responsáveis por 78,5% dessa produção. Os estados de Goiás e Bahia destacaram-se com uma produção entre 23.092 e 21.253 toneladas. Os estados do Espírito Santo e São Paulo, apresentaram produção entre 778 e 1.933 toneladas, mas vêm se destacando em evolução de área colhida, quantidade produzida e rendimento médio por hectare. Em 2008, o Brasil exportou 1.624 toneladas de palmito, o que corresponde a US$ 7,1 milhões, sendo que a maior parte destas exportações foi destinada para os Estados Unidos, com 1.072 toneladas (66% do total das exportações), seguido pela França, com 133 toneladas.
O Brasil é o maior produtor e consumidor de palmito do mundo, mas já não possui mais o título de maior exportador. Nos últimos anos, a Costa Rica e o Equador, com plantios de pupunha de forma organizada, com ganhos de escala e consequentemente preços mais baixos, assumiram a liderança do mercado internacional. A perda do Brasil da primeira posição no ranking dos maiores exportadores mundiais deve-se aos fatos do palmito nacional apresentar baixa qualidade e de ser um produto não ecológico, pois é sustentado pelo corte de palmeiras nativas. A baixa qualidade do palmito é resultado do processo de extrativismo.
Devido ao potencial comercial do palmito de pupunha, muitos países latino-americanos estão investindo no seu cultivo e industrialização. O interesse para cultivar a pupunha está aumentando fortemente nos últimos anos, especialmente para a produção de palmito. Dois fatores que estão facilitando este aumento: a existência de um mercado a nível mundial e a disponibilidade de tecnologia para o cultivo e industrialização da pupunha para palmito.
O palmito é um produto nobre e com mercado garantido, sendo o Brasil o maior produtor mundial, com aproximadamente 95% do total, sendo os maiores compradores a França e os Estados Unidos. Em 2006, a exportação de palmito em conserva foi de U$ 35 milhões. Somente para atender ao consumo interno, estima-se que o Brasil precisa de uma área cultivada de 130 mil hectares. A área cultivada com pupunha é de 204 mil hectares. O faturamento anual do setor palmito é de 350 milhões de dólares, com a geração de 8 mil empregos diretos e 25 mil empregos indiretos.
Quais as potencialidades da pupunheira na produção de palmito?
A pupunheira (Bactris gasipaes Kunth. var. gasipaes Henderson), alia a capacidade de perfilhamento à precocidade, de tal maneira que permita sua exploração continuada por até 15 anos consecutivos (como ocorre na Costa Rica), sob boas condições de manejo, sem necessidade de quaisquer replantios.
Por estas características que lhe são inerentes, a pupunheira pode ser cultivada e seu palmito explorado sob condições ambientalmente sustentáveis e, em alguns casos, em áreas declivosas marginais aos cultivos mecanizados de culturas anuais como a soja e o milho, com rentabilidades economicamente aceitáveis e, por isto, sua demanda por parte de produtores de diversas regiões do Brasil tem sido crescente. Seu palmito, de boa qualidade, apresenta lenta oxidação, viabilizando a comercialização do produto in natura<
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