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No momento em que o mundo se reúne para discutir o futuro do clima no planeta e as atenções de bilhões de espectadores se voltam para a Cop15 – Encontro dos países signatários da Convenção Marco sobre Mudança Climática, que aconteceu em dezembro de 2009, em Copenhague (Dinamarca) - muitas são as perguntas em torno dos reais motivos que levam ao aquecimento global e o que de fato pode ser feito para freá-lo.
A questão central neste debate, que já atravessa décadas, e que infelizmente para o planeta muito pouco avançou em termos de ações efetivas para a redução das emissões de gases do efeito estufa, não é retornarmos ao tempo da caça às bruxas em busca dos culpados, que são muitos, mas tentarmos uma solução razoável que permita que o progresso avance, sem que a estabilidade do planeta seja colocada em risco.
Digo isso porque recentemente foi a vez da pecuária de corte ser colocada na berlinda pelos ambientalistas, que afirmam ser boi o grande responsável pela emissão de gás metano na atmosfera. Dono de um rebanho bovino de 190 milhões de cabeças, sendo que 90% delas ainda são criadas em regime extensivo, a pasto, a pecuária brasileira tem sim motivos para se preocupar, uma vez que o mundo não quer mais consumir produtos de origem animal que não venha de fontes sustentáveis, que respeitem ao mesmo tempo as pessoas, o meio ambiente e a legislação vigente.
O gás metano (CH4) é produzido pelos microrganismos presentes no rúmen de bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos, durante o processo da digestão da fibra e açúcares solúveis da dieta. No caso específico dos bovinos, a eliminação desse gás para o ambiente ocorre pela eructação (gases por via oral) e flatulência (gases intestinais), processos considerados indesejáveis não apenas pelo dano que causam a natureza, mas pela perda indesejável de energia pelo animal, que se traduz em menor eficiência da produção.
Estudos recentes mostram que as perdas de energia bruta ingerida pelo animal, liberada via metano pode variar de 2 a 12% do total produzido ao longo do dia. No ano a quantidade de gases produzida é gigantesca se considerarmos que cada bovino de corte produz em média entre 60 a 71 kg/dia e em casos de vacas leiteiras a situação é ainda pior, entre 109 e 126 kg/ animal/dia.
Sendo o metano um potente causador do efeito estufa (greenhouse) torna-se de grande importância o desenvolvimento de estratégias de manejo na alimentação dos bovinos, visando aumentar a eficiência de produção e redução na emissão de metano para a atmosfera.
Com o objetivo de avaliar melhor os efeitos de dois aditivos alimentares bastante comuns na pecuária, a molécula orgânica Fator Premium e a Monensina sódica e compará-las a um tratamento controle com animais sem nenhum tipo de suplementação, para a produção de gás metano pela técnica de produção de gases in vitro, a equipe técnica da Premix Técnica em Suplementação se uniu aos pesquisadores do laboratório do Departamento de Engenharia Rural da UNESP – Jaboticabal (SP), para a realização de um estudo inédito.
O resultado foi que os tratamentos com o aditivo Fator Premium® reduziu a produção de gás metano em 17,57% e com a Monensina Sódica reduziu em 13,50% em relação ao tratamento de controle. O princípio da técnica de produção de gases ‘in vitro’ baseia-se na simulação dos processos químicos da digestão que ocorrem no rúmen por meio de incubação de amostras com líquido ruminal sob condições especiais em laboratório.
Para a coleta de conteúdo ruminal foi utilizada dieta a base de feno de Tifton (80%) e Concentrado (20%). Os técnicos simularam três situações com animais do rebanho controle, sem uso de aditivos, animais que receberam 4 gramas de Fator Premium na dieta por dia e outro grupo que foi suplementado com Monensina Sódica, na porção de 250 mg/animal/dia. Foram realizadas três incubações, cada uma com 24 horas de duração sendo que as amostras dos gases produzidos foram todas registradas e coletadas nos períodos de 9, 12 e 24 horas.
Para finalizar quero reafirmar a importância do debate em torno deste tema tão fundamental para a humanidade. Que a Cop15 não passe em branco como apenas mais um fórum de discussão sobre o clima do planeta, mas que entre para a história como o ponto de partida na formação de um mundo mais consciente e que cabe ao homem a responsabilidade com o futuro do planeta. E acreditem, a pecuária está consciente e trabalhando para isso, verificando o quanto uma pastagem seqüestra de carbono e o quanto a tecnologia da nutrição pode contribuir para esta redução.
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