dia de campo

a
Esqueceu a senha?
Quero me cadastrar
     13/12/2018            
 
 
    
Forrageiras
Brachiaria e/ou Urochloa: dando nomes às plantas
“Normas para classificar”, serve para organizar os organismos vivos e com isso facilitar o estudo e identificar relações entre os indivíduos
Comente esta notícia Envie a um amigo Aponte Erros Imprimir  
Cacilda Borges do Valle
09/08/2010

A taxonomia, palavra de origem grega que significa “normas para classificar”, serve para organizar os organismos vivos e com isso facilitar o estudo e identificar relações entre os indivíduos. Assim, cada planta ou inseto, fungo ou animal ganha um nome e “sobrenome”, por exemplo: Brachiaria decumbens. A classificação segue uma hierarquia e a mais alta é o Reino (Animal, Vegetal ou Mineral), seguem-se os Filos, Classes, Ordens, Família, Gênero e Espécie. Dessa forma os capins pertencem à família Poaceae e a gêneros como Panicum, Brachiaria, Pennisetum. O “sobrenome’ é a espécie, como por exemplo, o colonião é Panicum maximum, e o brizantão é Brachiaria brizantha.

Como então são feitas as classificações? Os taxonomistas – assim se chamam os especialistas em organizar os indivíduos em espécies, gêneros, etc. – estudam as características morfológicas e as comparam com as já descritas para indivíduos semelhantes, ou então, em se tratando de planta ou animal nunca descrito, iniciam uma nova descrição. A grande maioria dos organismos já foi estudada e descrita mas novas formas podem aparecer e revisões se mostram necessárias para adequá-las ou agrupá-las de outra maneira.

Com o gênero Brachiaria não foi diferente. Esses capins que com certeza cobrem as maiores áreas de pastagens tropicais no mundo já fizeram parte do gênero Panicum – aquele do capim colonião - quando primeiramente descritas por Trinius em 1834. Depois, em 1853, outro especialista, Grisebach, elevou Brachiaria à categoria de gênero contendo hoje cerca de 100 espécies distribuídas pelos trópicos, mas especialmente na África. A característica principal que distingue Brachiaria de Panicum são suas espiguetas de forma ovalada, arranjadas em rácemos unilaterais, com a gluma inferior adjacente à raquis (Figura 1). Só que nem sempre os taxonomistas concordam e às vezes, essas características são consistentes por todas as espécies do gênero e por isso aparecem os questionamentos. Recentemente países como a Austrália e Estados Unidos reclassificaram quase todas as espécies de Brachiaria para o gênero Urochloa (Figura 2) seguindo trabalhos de revisão por autor australiano (Webster), autores argentinos (Morone & Zuloaga) e depois autora colombiana e autor americano (Gonzalez & Morton). Porém as evidências apresentadas nos trabalhos acima ainda conservam controvérsias e não explicam contundentemente as diferenças visíveis, por exemplo, entre Panicum maximum e Brachiaria decumbens, colocando-os sob o mesmo gênero Urochloa. Além disso, os trabalhos mais recentes sugerem maiores estudos, inclusive usando vários marcadores moleculares, para melhor entender as relações entre essas espécies e gêneros. Por essas e por outras, no Brasil ainda se conserva a denominação Brachiaria, até que novos estudos sejam conduzidos e encontre-se justificativa inquestionável para proceder a mudanças. Existe todo um arcabouço legal no país como a Lei de Sementes e a Lei de Proteção de Cultivares feitas para Brachiaria e que em caso de mudança necessitaria serem revistas, por perigo de não mais se poder registrar campos de produção de sementes ou cultivares protegidas junto ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. E como ficariam as cultivares já protegidas, ou o comércio de sementes e mesmo os produtores já tão acostumados com a braquiária???

São considerações relevantes a serem observadas e qualquer atitude deverá ser ponderada com muito bom senso e embasada em robusta informação científica. Até então, nos parece razoável que usemos a estratégia de “sinonímia” sempre que publicarmos trabalhos com espécie do complexo Brachiaria-Urochloa para que toda a comunidade científica tenha acesso irrestrito a toda a informação gerada. Para tanto basta escrever Brachiaria (Syn. Urochloa) ou vice versa. Gostaria muito de ouvir a opinião dos ilustres leitores pois uma discussão na comunidade científica deverá ocorrer em breve. Basta enviar um e-mail para cacilda@cnpgc.embrapa.br e sua contribuição será muito bem vinda.

 

Florescências de Brachiaria ruziziensis (esquerda), B. brizantha (meio) e B. decumbens (direita) ilustrando rácemos (ou ramos) com espiguetas de um só lado: com 7, 4 e dois rácemos da esquerda para direita. Detalhe de B. humidicola cv. BRS Tupi mostrando as espiguetas com longos pelos (tricomas) e com a gluma inferior (1) adjacente a ráquis e gluma 2 virada para fora.


 

 

 

Urochloa mosanbicensis (capim corrente) conforme ilustração no livro “Guide to grasses of South Africa” por Frits van Oudtshoorn, Briza Publikasies CE, Pretoria, 301p. 1992.


 

Aviso Legal
Para fins comerciais e/ou profissionais, em sendo citados os devidos créditos de autoria do material e do Jornal Dia de Campo como fonte original, com remissão para o site do veículo: www.diadecampo.com.br, não há objeção à reprodução total ou parcial de nossos conteúdos em qualquer tipo de mídia. A não observância integral desses critérios, todavia, implica na violação de direitos autorais, conforme Lei Nº 9610, de 19 de fevereiro de 1998, incorrendo em danos morais aos autores.
Pedro Augusto-produtor rural e agrônomo
09/08/2010 - 11:40
Doutora Calcida,tudo bem!
Gostaria de consolidar a opiniÒo na prßtica de que o urochloa tem uma semelhanþa muito visÝvel com o gÛnero brachiaria.AquÝ no semi-ßrido da Bahia,visualmente se distinguem pelo tamanho dos pÚs(porte pequeno e pouca matÚria seca) e florescÛncias.O urochloa se destacou na regiÒo, devido a sua tolerÒncia ß seca(principalmente pela sua capacidade e precocidade de multiplicaþÒo de sementes) e ao sistema extensivo de criaþÒo,no qual,predomina o pastoreio intensivo atÚ ß morte da planta.Ele Ú chamado de "invasor" devido sua caracteristica invasora e predominante sobre as demais plantas e capins.A palatabilidade nÒo Ú das melhores.

Pedro Augusto-produtor rural e agrônomo
09/08/2010 - 11:49
Gostaria de fazer, a retificaþÒo onde afirmo, que o urochloa e o gÛnero brachiaria se diferenciam na floresþÛncias.+ o contrßrio, elas sÒo parecidas.

Cacilda Valle
09/08/2010 - 14:18
Muito obrigada pelos seus comentßrios, Senhor Pedro Augusto. Temos essa informaþÒo de que Urochloa mosambicensis Ú mesmo mais tolerante Ó seca do que Brachiaria decumbens. Vamos investigar essas diferenþas morfol¾gicas (caso da inflorescÛncia¦, follha, rizomas) quando chegarem as plantas que pedimos para importar da Australia. Sobre a palatabilidade nÒo tÝnhamos informaþÒo, portanto obrigada pelas suas. Estamos Ós ordens aqui na Embrapa Gado de Corte.

Ludimilo Cáustico
14/08/2010 - 16:55
Prezada doutora Cacilda
Interessante sua matÚria, pois esclarece muitas confus§es que assistimos no dia a dia, por desconhecimento das sinonÝmias: Ós vezes por experientes pesquisadores descuidados. Apenas para melhorar a clareza de seu primeiro parßgrafo, informo que os reinos citados sÒo apenas exemplos, pois os seres vivos estÒo enquadrados em cinco reinos: Monera, Protista, Fungi, Plantae e Animalia

Cacilda Valle
17/08/2010 - 17:29
Muito obrigada pelo esclarecimento Sr. Ludimilo. O senhor estß correto quantos aos reinos. AtÚ esclarecermos mais sobre similaridades e diferenþas entre os gÛneros Urochloa, Eriochloa,Brachiaria e Panicum o mais seguro Ú usar as sinonÝmias.

Francisco ribeiro
28/01/2012 - 19:46
Gostaria que ficasse mais claro, para os nÒo formados na ßria,por que capins tÒo diferentes, como a Brachiaria decubens e a MG5 sÒo simultaneamente consideradas brachiaria, sendo que propagam de maneira totalmente diferentes.

Para comentar
esta matéria
clique aqui
6 comentários

Forrageiras - Artigos já Publicados

Novas forrageiras em discussão
13/06/2012

A Odisséia de um capim - B. decumbens cv. Basilisk
06/02/2012

O III Simpósio Internacional sobre o Melhoramento de Forrageiras
14/12/2011

A geração de cultivares de forrageiras frente a mudanças climáticas
05/10/2011

Boas Práticas Agropecuárias
16/03/2011

BRS Tupi: uma nova cultivar de B. humidicola
19/01/2011

Como estimar o que engorda o boi
09/12/2010

Apomixia e a reprodução nas gramíneas forrageiras
13/05/2010

Pastagens: mitos e realidades
13/04/2010

A pecuária e os gases de efeito estufa
08/03/2010

A escolha da forrageira para a formação de pastagens
04/02/2010

A biotecnologia e as forrageiras tropicais
06/01/2010

O Melhoramento de Pastagens, ontem e hoje
01/12/2009

Conteúdos Relacionados à: Forrageiras
Palavras-chave

 
13/12/2018
IV Simpósio de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta do Estado de São Paulo
Brotas e Piracicaba - SP
14/12/2018
Treinamento sobre a Importância Atual dos Nematoides do Milho no Brasil
Piracicaba - SP
21/01/2019
31ª Jornada de Atualização em Agricultura de Precisão
Piracicaba - SP
21/01/2019
31ª Jornada de Atualização em Agricultura de Precisão
Piracicaba - SP
08/02/2019
Oficina de Utilização de Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPA - Drones) Para a Agricultura
Formosa - GO
09/04/2019
Simpósio Nacional da Agricultura Digital
Piracicaba - SP


 
 
Palavra-chave
Busca Avançada