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     04/07/2026            
 
 
    

    

As zonas ripárias constituem a vegetação que fica às margens dos córregos e rios, fazendo parte das Áreas de Proteção Permanente (APPs). Ou melhor, na maioria dos cursos d´água, ficava às margens de córregos e rios, pois grande parte foi removida para estabelecimento de culturas ou pastagem para animais. A largura dessa vegetação foi estabelecida de acordo com a do curso d´água (Lei Federal 7511/86) e possui papel importantíssimo na manutenção de muitas características dos ambientes aquáticos e terrestres, já que localiza-se na transição entre os dois sistemas. A importância dela é tão grande para o adequado funcionamento do ecossistema natural que sua preservação é defendida também pela Convenção de Ramsar (1994).

Essas zonas ripárias são um mosaico diverso de topografia, comunidades e ambientes. Por exemplo, servem para estabilizar a diversidade e dinâmica das comunidades associadas aos ecossistemas aquáticos. O delineamento espacial da sua extensão é frequentemente de difícil execução porque a heterogeneidade física é expressa em estratégias de vida das plantas e padrões de sucessão, enquanto que atributos funcionais não dependem somente da composição da comunidade, mas também do ambiente. A mata ripária estende-se lateralmente ao canal principal dos rios, incluindo a várzea ativa e os terraços, sendo, por isso, defendida pela Convenção citada acima.

Estados da Federação onde a vegetação da zona ripária está praticamente ausente possuem programas especiais gerenciados pela Secretaria de Meio Ambiente para a recuperação dessas áreas, com plantio e manutenção de mudas nativas e acompanhamento dos benefícios diretos e indiretos que essa ação exerce no ambiente. Entretanto, há muitos locais em que os interesses de alguns grupos se sobrepõe à “manutenção da diversidade biológica e do meio ambiente garantindo a qualidade ambiental às gerações futuras”, como defendido pelo artigo 225 da Constituição Federal.

Esses grupos minoritários - preocupando-se com ganhos financeiros atuais, subestimam a importância do equilíbrio ecológico que, em desarmonia -, acabarão por afetar seus descendentes e todo o Globo. As mudanças no clima que todos sentimos são indicativos de que não somente as futuras gerações sentirão os efeitos de anos de abuso contra o ambiente natural. Não é necessário voltarmos a viver em cavernas, mas entre os extremos, podemos procurar por um ponto de equilíbrio, nisto consiste o desenvolvimento sustentável, termo tão empregado e defendido atualmente.

O efeito positivo dessa vegetação sobre a comunidade de insetos aquáticos pode ser claramente evidenciado por um estudo realizado no córrego Sarandi (Área de Proteção de Manancial Mestre d´Armas, Planaltina, DF) onde foram realizadas coletas de insetos em dois trechos do córrego, um coberto por uma exuberante mata ripária e outro, com uma vegetação onde as árvores de grande porte são raras e foram substituídas por trepadeiras (indicativo de desequilíbrio). Neste trecho, a água possui cor escura quase todo o ano, enquanto que no trecho com mata, a água é sempre transparente.

Neste estudo, verificou-se maior quantidade de famílias de insetos no trecho com vegetação primária, foram 18 em contraposição às 12 encontradas no local com vegetação degradada. Soma-se ao aumento na quantidade de famílias resistentes no trecho degradado, mostrando a queda na qualidade ambiental, que comportou espécies mais resistentes. Pergunta-se como ficou a cadeia alimentar após essa mudança na comunidade? Será que os peixes conseguiram se adaptar ou também sumiram? E como ficam as pessoas e os animais que se alimentam desses peixes? Se analisássemos o final da cadeia alimentar, provavelmente encontraríamos diminuição na qualidade de vida de muitas famílias que vivem a jusante do local desmatado.

É hora de questionar o que fazer com o dinheiro acumulado se a água se tornar escassa a ponto de o dinheiro não poder resolver sua falta. O que fazer com o dinheiro, se o desequilíbrio ecológico for tão severo que a tecnologia não seja capaz de manter a vida individual? Vale a pena pressionar o meio ambiente a ponto de não ter mais remediação? Como os nossos netos olharão para nós ao saber que tínhamos condições de cuidar do mundo e apenas pensamos em acumular riquezas, sem levar em conta as consequências?

O ganho financeiro com cultivo agrícola e/ou criação de animais nessas áreas ripárias pode ser visível em curto prazo, porém pode conferir um ônus aos descendentes de quem retirou a mata ripária. Além disso, um local com suas características originais conservadas possui um atrativo cênico que possibilita ao proprietário a exploração turística (e de pesca), oferecendo a ele e sua família outra opção de captação de recursos financeiros, em que eles também poderiam usufruir de um ambiente agradável e saudável.

Artigo originalmente publicado em 18/10/2010

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