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Sisal  
Sisal viabiliza produção no Semiárido brasileiro
Cultura é resistente à seca, tem produtividade média de 780 quilos por hectare e produz fibra de alta qualidade no mercado
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Juliana Royo
29/11/2010

O sisal é uma cultura importante para o Semiárido brasileiro. Ela é altamente adaptada às condições  da região, é resistente à seca e não é atacada por pragas que causem danos significativos à planta. A produtividade do sisal é boa para a região, cerca de 780 quilos por hectare, mas poderia ser melhor se as chuvas fossem mais recorrentes. Existem dois grandes limitadores da produção da cultura no Semiárido: a intensidade das chuvas e uma doença chamada podridão do tronco. Ela é causada justamente pela falta de chuvas na região porque o fungo causador da doença ataca a planta quando ela sofre de estresse hídrico.

— O sisal produz uma fibra que é destinada a fazer os fios para inúmeras funções. É destinada à produção de tapete, cordas, fios para amarração de fenos, artesanato, cabos de navios e faz parte da alma dos elevadores, que são feitas de cabo de aço e corda de sisal. Enquanto que no Semiárido, o milho e feijão vai te dar apenas dois ou três anos de produção razoável em 10 anos de cultivo, o sisal sempre vai ofertar uma produção regular todo ano. O sisal oferta alguma rentabilidade nestas regiões mais empobrecidas. No Brasil, existe praticamente apenas um material genético que é o Agave Sisalana, introduzido em 1930 e perdura até hoje. A Embrapa estuda outros materiais e avalia híbridos que são mais produtivos e mais resistentes a seca e a doenças do que o Agave Sisalana — explica o pesquisador Odilon Reny Ribeiro, chefe de Comunicação e Negócios da Embrapa Algodão.

A plantação de sisal pode levar mais de 50 produzindo direto porque novas plantas vão substituindo as antigas não produtivas. Os produtores devem plantar os filhotes que vão substituir a planta mãe após quatro anos e, com isso, a produção não é interrompida. A planta filhote deve ser introduzida com 30cm a 40 cm de altura em uma espaçamento de 3m a 4 m de forma que seja possível fazer um consórcio com outras culturas nos primeiros anos. Como o sisal só começa a produzir a partir do quarto ano, outras culturas anuais podem oferecer rentabilidade ao agricultor. É fundamental que os produtores saibam que o sisal não tolera plantas daninhas, não pode haver a competição com o mato. Com a plantação de outras culturas em consórcio, isto é evitado.

— A primeira colheita do sisal vai ser no quarto ano, em torno de 50 folhas por planta e o produtor vai desfibrar essas folhas numa máquina chamada motor paraibano, que é bastante antigo. O produtor deve tirar os filhotes porque o sisal é uma planta que perfilha muito e a alimentação da planta que deve ser investida em tamanho e número de folha vai ser investida em filhotes, o que não é desejável. A partir do terceiro ano é recomendado deixar um filhote para substituir a planta mãe em produção. Uma lavoura de sisal pode ter 50 anos, ela não se acaba porque você vai substituindo as plantas improdutivas pelas novas que vão fazer a substituição. O principal cuidado é não deixar o mato crescer — alerta Ribeiro.

A época ideal de plantio do sisal é um mês antes do início do inverno para que a planta sofra menos com a incidência da doença da podridão do tronco. Alguns híbridos estão sendo estudados pela Embrapa para que seja criado um material adaptado às condições brasileiras, mas resistentes ao ataque do fungo causador da doença do sisal. Além do respeito à época de plantio, uma recomendação dos pesquisadores é que os agricultores soltem animais (sejam caprinos, ovinos ou bovinos) na plantação de sisal para que eles comam as plantas daninhas presentes.

Clique aqui, ouça a íntegra da entrevista concedida com exclusividade ao Jornal Dia de Campo e saiba mais detalhes da tecnologia.
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