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Embora o Brasil possua o maior rebanho bovino comercialmente, a sua produção de carne e o aproveitamento do couro não são explorados adequadamente pelos pequenos e médios produtores. Talvez, na sua maioria, por desconhecimento de tecnologia adequada no manejo dos animais deste da seleção das matrizes e reprodutores, escolha da época da escolha da estação de monta, alimentação e do manejo dos animais.

Segundo Peixoto (1999, p.186) o sombreamento no pasto e outras medidas são fundamentais para um melhor desempenho e desenvolvimento do animal: "Carga de calor externo, incremento do calor metabólico e eficiência dos mecanismos de perda de calor podem afetar o grau do estresse. A redução do estresse climático pela sombra e outras práticas pode ser importante para manter o consumo de alimentos e água, crescimento e, até mesmo, permitir a sobrevivência".

Logo, práticas de redução ao estresse são compensadas com um melhor desenvolvimento do animal, fazer uso de animais com pelagens mais claras em lugares onde o índice de insolação é muito grande contribui ainda para o controle do berne (Dermatobia hominis), cujo seu ciclo prejudica a obtenção de um couro de boa qualidade, visto que animais com pelagem mais clara tem maior resistência ao calor e evitam a procura por abrigo em árvores, arbustos e suas respectivas sombras que é justamente onde abriga-se a mosca vetora do berne.

MILLEN (1983, p. 394) afirma que “[...] os prejuízos causados pelo berne são grandes, não só porque desvalorizam o couro como também porque causam outras perturbações, abrindo a porta a infecções secundárias e prejudicando o crescimento e a produção dos animais fortemente parasitados.

Portanto, fatores climáticos influenciam substancialmente as infestações de bernes, moscas do chifres que causam diretamente estragos ao couro bovino.

NAÃS (1989, p. 75) define ”[...] os fatores climáticos mais significativos que são a radiação solar, a influência da longitude e da latitude, a influência da altitude e a umidade relativa do ar, que podem causar grandes malefícios aos animais.

Outras medidas simples como a interação biológica com predadores de organismos nocivos para a produção são válidas, segundo a EMBRAPA (1996, p. 169) “os besouros auxiliam na prevenção da mosca do chifre, pois se alimentam de fezes frescas, facilitando a circulação do ar no local, destruindo o bolo fecal e o ambiente de desenvolvimento da mosca do chifre (Haematobia irritans). Tipo do Besouro: Onthophagus gazella”.

É importante destacar também a grande importância econômica ligada a produção de bovinos no Brasil e a sua indústria de beneficiamento, Peixoto (1999, p.304-305) destaca esse fator. "A pecuária bovina tem significativa importância no contexto sócio-econômico do país. Ademais, as cadeias produtivas da pecuária de leite e de corte empregam diretamente mais de 7 milhões de pessoas e possibilitam a geração de inúmeros outros empregos no comércio e nas indústrias de derivados e insumos".

O setor coureiro calçadistas visto como fator econômico movimenta os três setores da economia gerando empregos diretos e indiretos e das mais variadas formas de aplicação. O Brasil é detentor do de um dos maiores rebanhos do mundo, sendo o maior rebanho comercial, e tem grande produção na indústria de couros ocupando o 5º lugar com cerca de 33 milhões de couros representando 10 a 11% da produção mundial (CETESB, 2005).

A indústria brasileira tem cerca de 450 curtumes, mas cerca de 80% são considerados de pequeno porte. Além de unidade autônoma de negócio, tem se observado uma verticalização dos frigoríficos, atuando também como curtidores (CETESB, 2005).

O couro tem grande relevância no que diz respeito à economia, segundo dados do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil apenas no primeiro quadrimestre do ano de 2010 as exportações de couro registraram um aumento de 79,8% se comparado ao mesmo período do ano passado, contabilizando até então US$ 552 milhões.

Segunda a CICB (2010), para manter sua posição no mercado internacional, a indústria brasileira, uma das maiores exportadoras mundiais de couros, vem diversificando cada vez mais seus mercados e aumentando a oferta de produtos mais sofisticados, de maior valor agregado.

A tabela 1 mostra a produção de couro por região no Brasil.
Tabela 1 – Produção de couro por região em 2000
Região
Número de couros
Participação (%)
Sul
12.385.750
38,11
Sudeste
11.027.250
33,93
Centro-Oeste
4.920.500
15,14
Nordeste
3.562.000
10,96
Norte
604.500
1,86
Total
32.500.000
100,00
    Fonte: CNPC / IBGE / AICSUL

A importância do setor para a economia brasileira é de grande relevância. Vale lembrar que a cadeia produtiva do couro, que abrange os setores de curtumes, calçados, componentes, máquinas e equipamentos para calçados e couros, artefatos e artigos de viagem em couro, reúne 10 mil indústrias, gera mais de 500 mil empregos e movimenta receita superior a US$ 21 bilhões de dólares por ano (CICB, 2010).
Outro fator a ser relevado é o impacto ambiental causado por essa atividade, tomamos por base o consumo de água exigido. De acordo com o Centro Tecnológico do Couro, SENAI - Rio Grande do Sul, o consumo total médio atual do setor brasileiro está estimado em 25-30 m³ água / t pele salgada – cerca de 630 litros água/pele salgada, em média.
Assim, um curtume integrado de processo convencional que processe 3.000 peles salgadas por dia (de porte médio), consumiria, em média, aproximadamente 1.900 m3 água/dia, equivalente ao consumo diário de uma população de cerca de 10.500 habitantes, considerando-se um consumo médio de 180 litros de água/habitante/dia. Desta forma, verifica-se que água é um insumo importante na operação dos curtumes na formulação dos banhos de tratamento e nas lavagens das peles e dependendo da sua produção e do local onde opera, o impacto de consumo nos mananciais da região pode ser significativo (CETESB, 2005), tabela 2.
  

Tabela 2 – Consumo de água em curtumes
Etapas do processo
Consumo de água (m³/t pele salgada)
Ribeira (até purga)
7-25
Curtimento
1-3
Pós-curtimento ou acabamento molhado
4-8
Acabamento
0-1
TOTAL
12-37
Fonte: ‘IUE’ – Comiss&atil

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Alessandro Wegher
18/02/2011 - 09:25
Artigo muito bom, chamando a atenþÒo para um problema critico que Ú a preservaþÒo da natureza e, com a parte economica do negocio que Ú fundamental para o progresso do pais. Tem uma tecnologia para o aproveitamento dos residuos dos cortumes que produz um adubo altamente eficaz e de baixo custo que inesplicavelmente o MAPA ainda nÒo liberou no Brasil. Na Itßlia tem uma firma "SICIT CHEMITECH SPA)www.sicitchemithech.it " que aproveita todos os residuos disponiveis e transforma em adubos que sÒo vendidos no mundo inteiro menos no Brasil. Aqui mesmo, no Rio Grande do Sul, tem uma outra empresa italiana que produz toneladas de adubo derivado dos descartes de cortume, mas s¾ exporta, pois nÒo tem registro do MAPA para venda no Brasil (foi materia do Globo Rural em 2010). Vale a pena pesquisar porquÚ Ú uma enorme fonte de renda, evitaria muita poluiþÒo e nÒo orecisaria importar tanto adubo.

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