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     31/03/2026            
 
 
    

 

O termo banco de sementes tem sido adotado para designar as reservas de sementes viáveis no solo, em profundidade e na superfície (Roberts, 1981). Para Baker (1989) o banco ou reserva de sementes é uma agregação de sementes não germinadas, mas potencialmente capazes de substituir plantas adultas anuais que desaparecem por causa natural ou não, ou perenes, suscetíveis a doenças, distúrbios ou consumo por animais.

Diferentes sistemas de manejo do solo condicionam as sementes a microambientes, devido às alterações das propriedades físico-químicas e das condições da superfície do solo (Mulugueta & Stoltemberg, 1997). Essas mudanças podem influenciar a germinação e o estabelecimento de plantas infestantes, devido a criação de condições variáveis de umidade e aeração. Da mesma maneira, a distribuição das sementes no perfil do solo pode ser alterada, causando modificações na dinâmica populacional das plantas daninhas. O preparo convencional do solo incorpora as sementes de modo mais uniforme no perfil trabalhado, proporcionando a distribuição horizontal e vertical de sementes das plantas infestantes. Essa distribuição das sementes no perfil do solo é influenciada pela freqüência de preparo, dando origem a persistentes bancos de sementes no solo (Lindquist & Maxwell, 1991; Guersa & Martinez-Guersa, 2000). Segundo Pitelli (2000), os índices fitossociológicos são importantes para analisar o impacto que os sistemas de manejo e as práticas agrícolas exercem sobre a dinâmica de crescimento e ocupação de comunidades infestantes em agroecossistema. Esses índices são determinados levando-se em conta a densidade relativa, que reflete a participação numérica de indivíduos de uma espécie na comunidade; a freqüência relativa, que se refere à porcentagem que representa a freqüência de uma população em relação à soma da freqüência das espécies que constituem a comunidade a dominância representa o ganho de biomassa de uma espécie na comunidade; e a importância relativa, que é uma avaliação ponderada desses índices e indica as espécies mais importantes em termos de infestação das culturas e também, qual espécie proporciona melhor cobertura do solo dentro de um manejo mais sustentável além de sua importância positiva ou negativa  no manejo integrado de pragas. 

Esse trabalho teve como objetivo avaliar a influência de dois sistemas de produção de citros no banco de sementes de plantas daninhas e estudar as relações quantitativas entre o banco de sementes do solo e a flora infestante no pomar.

Material e métodos

O trabalho foi conduzido em um pomar cítrico, instalado no município de Cruz das Almas – BA, na área experimental do Centro Nacional de Pesquisa de Mandioca e Fruticultura Tropical da Embrapa, com uma área total aproximada de 7.200 m2  e espaçamento de 5m entre as linhas e 4m entre plantas na linha. Foram utilizados os seguintes tratamentos: 1. Sistema convencional, envolvendo aração, gradagem, controle mecânico do mato com três a quatro capinas nas linhas e mesmo número de gradagens nas ruas; 2. Sistema de produção integrada - subsolagem no preparo inicial do solo e controle integrado de plantas infestantes com o plantio direto de feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), crotalária (Crotalaria juncea) e nabo forrageiro (Raphanus sativus) nas entrelinhas da cultura e nas linhas com glifosato duas vezes ao ano.  O levantamento do banco de sementes de plantas daninhas foi realizado na época seca  do ano.  De cada amostra composta de 10 kg de solo, retirou-se seis subamostras, de 3 kg cada, que foram passadas em peneira de malha de 0,280 mm e colocadas em bandejas de plástico, em casa de vegetação, as quais foram mantidas sob um sistema de regas diárias. O total de sementes vivas foi estimado através da emergência das plântulas.

Para caracterização e estudo fitossociológico da comunidade infestante foi utilizado como unidade amostral um quadrado (0,50 x 0,50m), lançando-se quatro vezes aleatoriamente nas linhas e entrelinhas da cultura dos citros  em cada parcela/tratamento (método quadrado inventário). Em cada quadro amostrado as plantas foram identificadas segundo família, gênero, espécie, bem como o número presente de cada uma delas. A partir da contagem das espécies presentes foram calculados os parâmetros fitossociológicos. As plantas daninhas presentes foram cortadas rente ao solo, acondicionadas em sacos de papel e levadas à estufa para obtenção da massa seca da parte aérea de cada espécie.

Resultados e discussão

Na identificação do número médio de sementes viáveis, utilizou-se como ferramenta o número médio de plântulas emergidas em bandejas, em casa de vegetação (Figura 1).

O tratamento que propiciou maior número médio de plântulas emergidas na época seca foi o sistema integrado. O fato de esse tratamento ter apresentado um número expressivo de plântulas emergidas em relação ao sistema de preparo do solo convencional pode estar relacionado com o uso das leguminosas nas entrelinhas de plantio. Por essas proporcionarem uma maior cobertura do solo, provavelmente não permitiram a germinação das sementes e posterior emergência das plântulas, contribuindo assim, para um maior estoque de sementes no solo.

Figura 1. Número de sementes viáveis para os dois sistemas de preparo do solo; integrado e convencional durante a época seca do ano.

Na identificação das plantas infestantes na área do sistema em produção integrada foram contabilizadas 12 espécies de dicotiledôneas e nove famílias, destacando-se a família Compositae, com três espécies. As espécies que mais ocorreram foram Urtica dioica (urtica), Ageratum conyzoides (mentrasto) e Amaranthus deflexu (bredo), com 42,3, 29 e 21%, respectivamente. Entre as monocotiledôneas foram identificadas quatro espécies e duas famílias, destacando-se a família Gramineae, com três espécies. As espécies que mais ocorreram foram Commelina virginica (marianinha) e Cyperus ferax (tiririca), com 68,09,  e 27,66%, respectivamente.

Na área com sistema de produção convencional foram identificadas 12 espécies de dicotiledôneas e nove famílias, destacando-se as famílias Compositae e Euphorbiaceae, com três e duas espécies, respectivamente. As espécies que mais ocorreram foram Ageratum conyzoides (mentrasto), Urtica dioica

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Lucio Pereira Santos
17/12/2010 - 11:31
Muito oportuna esta matÚria. Aqui na Embrapa Amaz¶nia Ocidental coordeno um Projeto que possui um Plano de AþÒo do qual constam dois experimentos com a cultura do guaranazeiro, sendo um experimento de calagem e o outro de gessagem. Em ambos, estamos avaliando as modificaþ§es da composiþÒo florÝstica do solo influenciadas por esses dois insumos. A metodologia que estß sendo utilizada Ú semelhante Ó adotada pelos autores deste Artigo e os resultados preliminares tÛm demonstrado uma forte tendÛncia de modificaþÒo da dinÔmica da comunidade de plantas daninhas em funþÒo da modificaþÒo da fertilidade do solo decorrente das aplicaþ§es de calcßrio e de gesso. Efeitos mais acentuados tÛm sido observados com as aplicaþ§es superficiais de gesso agrÝcola que, ap¾s reaþ§es com o solo, tÛm auterado a fertilidade da camada superficial (0 - 20 cm profundidade), reduzindo nela os teores de Ca, Mg, V%, etc..., e elevando estas caracterÝsticas nas camadas da subsuperfÝcie (20 - 40; 40 - 60; e, 60 - 80 cm de profundidade). Com isso, tÛm sido constatadas modificaþ§es importantes na composiþÒo florÝstica do solo sob a cultura, o que poderß demandar modificaþÒo no sistema de manejo de plantas invasoras atualmente empregado para guaranazeiro.
Atenciosamente,
Lucio Pereira Santos
Pesquisador "A"
Embrapa Amaz¶nia Ocidental

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