
O pequizeiro é uma espécie arbórea, nativa do cerrado brasileiro, considerada de significativa importância econômica, social e ambiental. O elevado valor nutricional da polpa dos frutos e o grande número de aplicações de seus subprodutos a colocam entre as espécies de importância prioritária, em termos de domesticação e melhoramento genético, entre todas as espécies nativas do Cerrado.
O pequizeiro é considerado uma espécie de interesse econômico,principalmente devido ao uso de seus frutos na culinária, como fonte de vitaminas e na extração de óleos para a fabricação de cosméticos. Os frutos são utilizados na alimentação humana e na indústria caseira para extração de óleos e produção de licores. O caroço, com a polpa (mesocarpo), é cozido com arroz; feijão; carnes; batido com leite; usado para o preparo de licor e para extração de manteiga. O óleo da polpa tem efeito tonificante, além de atuar contra bronquites, gripes, resfriados e no controle de tumores. Os frutos contêm vitamina A e C, tiamina, proteínas e sais minerais, sendo o óleo de pequi utilizado na medicina popular para sanar problemas oftalmológicos relacionados à deficiência de vitamina A, uma vez que a planta apresenta altíssimo teor de carotenóides. Na indústria cosmética, fabricam-se cremes para a pele tendo o pequi como componente. Na medicina popular, é utilizado para tratamento de problemas respiratórios; afrodisíaco; e suas folhas são adstringentes, além de estimular a produção da bílis. A casca do pequizeiro, além de ser utilizada em curtumes, é tintorial, fornecendo tinta amarelo–castanha, bastante empregada pelos tecelões artesanais. É considerada planta ornamental pela beleza de suas copas e flores. Os frutos são consumidos por várias espécies da fauna regional, auxiliando a disseminação da espécie.
Análises físico-químicas dos componentes nutricionais informam 20 mil µg/100g de vitamina A, 12 mg de vitamina C, 30 µg de tiamina, 463 µg de riboflavina e 387 µg de niacina. O pequi se destaca com 2,64% de proteína e 20% de lipídios. O teor de fibra bruta contida na polpa do pequi é considerado alto, aproximadamente 13%. O pequi apresenta valores considerados intermediários de carboidratos, 19,60%; e acidez titulável de 0,9 a 2,0. Quanto aos sais minerais, a polpa do pequi apresentou Na (20 µg/g); Fe (15,57 µg/g); Mn (5,69 µg/g); Zn (5,32 µg/g); Cu (4 µg/g); Mg (0,05 µg/g); P (0,06 µg/g); e K (0,18 µg/g).
O pequi se destaca entre as frutas nativas do Cerrado por apresentar 2,23% de pectina; 78,72 mg de vitamina C por 100 g, valor superior ao de frutas tradicionalmente cultivadas e consumidas pela população brasileira, como a laranja (40,9 mg/100 g) e o limão (26,4 mg/100 g). O teor de caroteno da polpa do pequi (7,46 mg/100 mg de material) é superado apenas pela polpa de buriti (16,7 mg/100 mg de material).
Em estudos realizados nas comunidades do Norte de Minas Gerais, foi observado que a vegetação do Cerrado nas proximidades dessas comunidades é explorada de forma extrativista. O pequizeiro é um exemplo dessa realidade, sendo uma espécie bastante promissora que pode ser empregada em programas de revegetação de áreas degradadas e em programas de renda familiar. A utilização do pequi na culinária é bastante difundida entre os povos habitantes do Cerrado brasileiro, assim pode ser encontrada uma grande variedade de pratos típicos confeccionados com o caroço do pequi. Alem de auxiliar na complementação alimentar da população, os produtos obtidos pelo processamento culinário do pequi propicia o aumento da renda familiar.
O valor econômico do pequizeiro é notado pela presença de fábricas de licor de pequi no Norte de Minas Gerais, que produzem milhares de caixas de licor por ano, o que representa dezenas de empregos permanentes e uma expressiva contribuição anual em ICMS e IPI. Outro subproduto do pequi, a castanha, pode ser utilizada como ingrediente de farofas, doces e paçocas, comercializada in natura. Das castanhas também se extrai óleo. O fruto in natura sem casca é ofertado por dúzia ou por litro (equivalente a 1,5 dúzias). Uma dúzia de pequi era vendida, na beira das estradas que cortam o Centro-Oeste brasileiro, ao preço médio de R$ 4,00, em dezembro de 2010 para os produtores rurais do Norte de Minas Gerais, o pequi contribui com 17,73% da renda familiar, atrás apenas do feijão (33,52%) e da mandioca (32,64%). Embora a produção anual de frutos seja irregular entre safras, estima-se a produção extrativista com base em 45 indivíduos/ha e com 180 kg/ha de polpa, 33 kg/ha de amêndoas, 199 kg/ha de óleo de polpa e 15 kg de óleo de amêndoas.
Sua importância ambiental está expressa pela Portaria Federal 54, de 5 de março de 1987, do antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), hoje Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que impede o corte e a comercialização de sua madeira em todo o território nacional. As flores e frutos do pequizeiro se constituem em alimentos para abelhas, insetos, morcegos, pássaros e mamíferos que desempenham papel importante na fitofisionomia do Bioma Cerrado. A presença do pequizeiro é importante para garantir a sobrevivência de muitas espécies vegetais e animais que são essenciais ao equilíbrio do ecossistema na região do Cerrado.
Com o avanço das atividades agrosilvopastoris e expansão das cidades no Centro-Oeste brasileiro, tem havido uma intensa redução da população de pequizeiros. A espécie predomina nos solos mais planos do Bioma Cerrado, que são os mais adequados para a mecanização agrícola e para atividades econômicas como a implantação de pastagens, lavouras de grãos e reflorestamento. Portanto, as populações de pequizeiros estão ficando restritas as áreas de reservas ambientais ou de preservação permanente. Nessas áreas, que já são restritas em extensão e nem sempre preservadas, os frutos dos pequizeiros são coletados intensamente para consumo das populações regionais ou para venda nos centros urbanos da região Centro-Oeste. Isso diminui a quantidade de sementes remanescentes que germinariam para repovoamento dos pequizais nativos.
Considerando que em plantios comerciais de pequi, a população de plantas por hectare poderia ser elevada de forma muito significativa em relação ao sistema extrativo, e considerando, na produção cultivada, o plantio de indivíduos melhorados e (ou) clonados obtidos a partir de matrizes agronomicamente superiores, o potencial de elevação da produtividade a partir do melhoramento.
Artigo originalmente publicado em 23/02/2011
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