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     25/03/2017            
 
 
    

Catástrofes naturais estão ocorrendo em vários locais do mundo com efeitos devastadores, destacando-se os terremotos, tsunamis, tempestades, furacões, inundações, deslizamentos, entre outras. Há divergências entre os cientistas em relação à frequência das suas ocorrências. Enquanto alguns afirmam que elas têm se repetido dentro de um quadro natural ao longo do tempo, outros concluem de forma diferente. Normalmente as divergências têm sido mais frequentes entre meteorologistas, físicos e geólogos e estão relacionadas à escala temporal.

 O que nos impressiona, no entanto, é o fato de podermos acompanhar os desastres no instante em que estão acontecendo, por meio da internet e da televisão, nos dando a impressão de que se repetem com maior frequência. Na recente catástrofe japonesa as informações televisivas nos colocam dentro da aldeia global e nos fazem participantes do processo, levando-nos a sofrer junto com aquela população afetada e a torcer por uma solução rápida com pouca dor.

Ocorre que as catástrofes com perdas de vidas tem sido cada vez mais frequentes em virtude do aumento da população na terra, a forma de ocupação do solo e o estilo de vida que adotamos atualmente. Basta citar um exemplo: no Brasil há 500 anos o número de habitantes era muitíssimo menor e a forma de utilização do solo pelos indígenas era bem diferente. Há uma história interessante contada por historiadores em relação ao povoamento de uma cidade catarinense. Dizem eles que quando os colonizadores europeus passaram a ocupar o solo nas margens do Rio Itajaí-Açu não houve resistência alguma por parte dos índios; porque estes, do alto dos morros, ficaram apenas espreitando os brancos e nada fizeram, apenas comentaram: “Aquela terra não nos pertence, é propriedade do Rio, deixemos que os invasores se entendam com ele”.

A ocupação desordenada do solo aliada ao aumento da população e a obras em locais indevidos tem amplificado o efeito dos fenômenos meteorológicos adversos. A ciência comprova que em função das mudanças climáticas antropogênicas, que ocasionam o efeito estufa, as precipitações pluviométricas são cada vez mais intensas e concentradas em períodos curtos de tempo. Em algumas regiões de Santa Catarina, particularmente no litoral, inundações bruscas são frequentes.

Neste ano a Igreja Católica lançou a Campanha da Fraternidade com um tema que reflete a questão ecológica, com foco, sobretudo, nas mudanças climáticas, com ações concretas na redução das emissões de gases de efeito estufa e reciclagem de resíduos. No intuito de conscientizar os fiéis da importância de preservar o meio ambiente o tema não poderia ser mais adequado: “Fraternidade e a vida no planeta”. O lema da campanha é “A criação geme como em dores de parto”.

São necessárias ações individuais, coletivas e de Estado para mitigar os efeitos das mudanças climáticas no planeta. Cada um de nós deve fazer a sua parte. Para reduzir os efeitos nocivos dos desastres naturais são imprescindíveis esforços de toda a sociedade. Não apenas de retórica, muito em voga atualmente, comuns em discursos maravilhosos e vazios, ou em editoriais jornalísticos, sem efeito prático algum. Chorar as vítimas, lamentar as perdas de bens e noticiar os acontecimentos à exaustão tem sido rotina. Mas é preciso mais do que discursos e intenções, é preciso implementar ações e projetos de prevenção.

Um plano consistente para Santa Catarina, onde as ocorrências principais são de enchentes e deslizamentos, deve levar em consideração vários aspectos:

1) Identificação das áreas prioritárias de ação, em função dos dados históricos de fenômenos adversos, com maior ocorrência das tragédias. O Estado dispõe de recursos financeiros limitados e precisa concentrar esforços em áreas historicamente mais afetadas.

2) Elaboração de planos diretores das cidades e do campo mapeando as áreas de risco. Um problema muito sério é a ocupação irregular do solo, tanto pelos cidadãos ricos quanto pelos mais pobres, que infelizmente, por terem poucas posses acabam migrando do interior para as cidades e ocupando áreas inadequadas, principalmente em baixadas, nas margens de rios, ficando expostos a alagamentos e em encostas de morros, originando as favelas, sujeitas a deslizamentos. No campo o problema só é menor porque a densidade populacional é mais baixa e os desastres provocam menos vítimas. A construção de ruas e estradas de forma inadequada tem contribuído em muito para aumentar o número de vitimas. E nesse caso a culpa, na maioria das vezes, é do próprio Estado.

3) Fiscalização da ocupação irregular do solo. Há uma deficiência muito grande do poder público em cuidar do bem comum e evitar a ocupação de áreas de risco. É preciso mais rigor por parte das autoridades.

4) Remoção das pessoas das áreas de risco. Obviamente remover pessoas das áreas de risco é uma solução importante para minimizar o número de vítimas em caso de desastres naturais, no entanto tem um custo social bastante elevado, além da falta de compreensão dos próprios moradores.

5) Reflorestamento do solo em áreas degradadas e margem de rios, manutenção de áreas de escape para as águas de inundação, realização de obras de infraestrutura de contenção de encostas, construção de barragens e outras obras. Essas ações precisam de projetos especiais e de recursos financeiros elevados, mas são imprescindíveis para a mitigação dos efeitos dos desastres, tanto nos aspectos social e econômico, quanto no ambiental. Dependem muito do Estado e devem ser priorizadas levando em conta os investimentos necessários.

6) Construção de residências mais seguras e em locais adequados. Tem um baixo custo para o Estado, havendo a necessidade de uma ação enérgica de fiscalização com legislação rígida.

7) Prestação de serviço de meteorologia eficaz, sistema de alertas seguros e confiáveis. O Estado já dispõe de pessoal técnico qualificado, havendo necessidade de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e manutenção de uma estrutura de apoio para previsão do tempo, como radares e estações meteorológicas e sistemas de alertas adequados.

Artigo orinalmente publicado em 21/03/2011

 

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Laertes Rebelo
24/03/2011 - 08:42
Mais um excelente artigo do Dr. Zen¾rio Piana. Ao mesmo tempo em que trata a questÒo das mudanþas climßticas com sensibilidade e conhecimento de causa, o autor aproveita ao espaþo para propor aþ§es para mitigar desastres naturais que cocorrem com frequÛncia em SC. ParabÚns, doutor!

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