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     26/03/2017            
 
 
    

Devido ao alto custo de produção convencional, e com os conseqüentes riscos à saúde dos agricultores, consumidores, e contaminação ambiental, a Epagri/Estação Experimental de Ituporanga tem apoiado agricultores orgânicos para que iniciem a produção de cebola orgânica. Este sistema ainda não é utilizado de maneira massiva por agricultores, principalmente por desconhecimento, pelo conceito de que a produtividade é menor, por falta de tradição, e ser considerado de menor praticidade. Para a expansão de sistemas ecológicos de produção é necessário a utilização de diversos processos de construção de conhecimento, tais como pesquisa participativa em propriedades rurais, apoio técnico e troca de experiências entre os agricultores e técnicos.

A Epagri, Estação Experimental de Ituporanga tem desenvolvido junto com agricultores na região do Alto Vale, SC, nos municípios de Aurora, Rio do Sul, Presidente Nereu, unidades de produção de cebola orgânica em caráter experimental. O trabalho tem sido desenvolvido como uma atividade incorporada ao cotidiano dos agricultores, para que juntos com os técnicos discutam a viabilidade de implantação do sistema. 

As cultivares utilizadas são oriundas da Epagri, a Crioula, Super Precoce, Bola Precoce e Juporanga. A adubação no canteiro é realizada com estercos bem curtidos de aves (externo a propriedade) e bovinos. Para o manejo de doenças tem sido sugerida a calda bordalesa 0,3% e cinza disponível na propriedade, aplicado a 50 g/m2.

A área das unidades são de até 1 ha. O espaçamento usado varia de 40 a 50 cm entre linhas e de 10 a 18 cm entre plantas. O adubo verde de verão mais utilizado pelos agricultores tem sido a mucuna. No inverno as plantas de cobertura usadas são aveia e nabo forrageiro, utilizados isoladamente ou em coquetel. Para suprir a adubação fosfatada tem sido utilizado fosfato natural, baseado no teor solúvel. As capinas são manuais, com enxada ou roçadeira costal (para entrelinhas), realizadas em torno de três a quatro vezes. Esta atividade é considerada pelos agricultores como uma dificuldade para a expansão do sistema pela alta mão-de-obra demandada. O sistema de plantio direto sobre a palha de plantas de cobertura de inverno, como aveia, centeio, nabo forrageiro é importante para reduzir as ervas invasoras e economizar a mão-de-obra com capinas.

A produtividade obtida tem variado entre 11 a 15 t/ha, ainda abaixo da média estadual para o cultivo convencional, 21,6 t/ha. No início da transição do sistema convencional para orgânico a redução na produtividade é normal, porém há incremento a médio prazo a medida que o solo se equilibra. A perda na produtividade é compensada pela redução das despesas com o uso de agroquímicos e o maior preço alcançado pelo produto orgânico. Além do aumento da demanda pelo mercado de alimentos sadios. Desta forma, não há como desenvolver o sistema pelo paradigma da máxima produtividade, sendo mais viável pelo nível ótimo de produção, ou seja, com produção de bulbos que sejam comercializáveis e não onerem a sustentabilidade econômica da pequena propriedade. 

A certificação da produção orgânica tem sido realizada por certificadora participativa, Rede Ecovida, bem como por auditoria pelo IBD, Ecocert e Mokiti Okada.

O preço de comercialização geralmente tem variado de acordo com o ano agrícola, sendo superior de duas até cinco vezes ao produto convencional.

Considerações e perspectivas

O trabalho desenvolvido com a produção de cebola deve ser multiplicado para outros agricultores, sobretudo para aqueles que trabalham área de até 2 ha. Convém ressaltar, que a cebola não é o único produto orgânico trabalhado por estes agricultores, pois o mercado orgânico demanda diversidade de alimentos.

A Epagri iniciará experimentalmente a partir de 2011 a análise nutricional dos bulbos produzidos, a fim de verificar se há incremento da qualidade do alimento em sistema orgânico. 

As unidades de produção de cebola orgânica de maneira participativa favorecem a aproximação entre técnicos das instituições públicas com os agricultores ecológicos e seus grupos. 

A certificação por auditoria externa deve ser trabalhada em grupos de agricultores para reduzir custos. A certificação participativa deve ser articulada regionalmente para fortalecer as entidades envolvidas e baixar custos de produção. 
 

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