dia de campo

a
Esqueceu a senha?
Quero me cadastrar
     26/07/2017            
 
 
    

Um grande avanço na organização das famílias produtoras de leite está acontecendo no Planalto Norte de SC a partir da formação de Cooperativas de Leite da Agricultura Familiar. Este avanço é fruto do esforço de técnicos, lideranças regionais e locais, pesquisadores e principalmente, das famílias de agricultores que tem buscado estratégias de fortalecimento para esta cadeia produtiva tão importante para a agricultura familiar. Sua existência se deve a um processo de mais de seis anos de amadurecimento na região e que a partir de 2009 iniciou uma nova fase de atuação, com o trabalho em forma de cooperativas da agricultura familiar.

Nesse processo, um marco foi o intercâmbio realizado em junho de 2009 que levou famílias de produtores de leite dos municípios de Major Vieira, Monte Castelo, Porto União e Papanduva para conhecerem as experiências de organização no Oeste de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná (Ascooper e Sisclaf). Esse intercâmbio somado aos anos de discussão e ao apoio do Programa de Territórios do MDA motivou famílias desses quatro municípios a optarem pela formação de cooperativas de leite como estratégia de organização. Com o conhecimento da realidade de outros agricultores familiares organizados, as famílias avançaram na discussão com seus grupos organizados e os formalizaram em cooperativas.

Foram formadas quatro cooperativas municipais: CLAFPorto – Cooperativa de Leite da Agricultura Familiar de Porto União; CAFLEMAV – Cooperativa da Agricultura Familiar de Leite de Major Vieira; COOPERLEITE – Cooperativa de Produtores de Leite de Monte Castelo. Essas três se uniram à já existente COAFAPA – Cooperativa da Agricultura Familiar de Papanduva.

Com a criação das cooperativas foi criado também um Sistema Central das Cooperativas do Leite, ainda em 2009, com a função de apoiar as ações de gestão, administração e capacitação das cooperativas em seus municípios, trabalhar na manutenção dos princípios cooperativistas e representar as mesmas junto aos processos territoriais. A partir desse Sistema, os cooperados discutem problemas e soluções conjuntas, participam de projetos e estudam estratégias de fortalecimento. Entre esses problemas, a coleta do leite aparecia como um empecilho nas negociações com as empresas. Dessa forma, as cooperativas elaboraram um projeto conjunto de solicitação de caminhões e tanques de coleta, e solicitaram junto ao Programa do Território da Cidadania em 2009, com apoio das prefeituras municipais e a organização mostrou a sua força e o projeto foi aprovado.

Mas, para se chegar a um processo de organização como esse, que seja protagonizado especialmente por agricultores familiares é muito importante um período de formação. E essa formação normalmente se inicia a partir do processo de produção.

Em geral, a primeira reclamação dos produtores de leite, em qualquer evento de formação é a questão do preço recebido pelo litro de leite. Neste momento, é importante que os produtores entendam que nesta questão, existem dois pontos fundamentais a serem trabalhados:

1. O preço recebido por litro de leite está muito associado à qualidade e quantidade do leite produzido, que por sua vez está intimamente ligado à forma como esse leite é produzido: qual o tipo e o custo da alimentação das vacas? Qual o manejo das pastagens? Qual o planejamento da propriedade?

2. O preço do leite recebido pelos produtores está muito associado à forma de organização (ou falta dela) a que o agricultor pertence.

Sem dúvida alguma, uma família que produz leite e que planeja seu sistema de produção está muito à frente dos outros produtores e normalmente recebe preços melhores. É o que chamamos de profissionalização da produção. Importante destacar que isso não tem, em hipótese alguma, relação direta com o tamanho da propriedade ou volume de produção. A lógica está em dois pontos: 1º- quem planeja sabe (ou estima) qual a produção mensal e a alimentação mensal do rebanho. 2º - quem planeja, se antecipa em relação à produção de pasto e outros alimentos. Além disso, famílias que planejam a atividade tendem a crescer na quantidade de produção.

No entanto, planejamento de propriedade leiteira é uma atividade complexa. Para isso se faz necessário muita capacitação e acompanhamento técnico. Por outro lado, sabemos que formação e acompanhamento técnico são praticamente impossíveis de serem conseguidos individualmente. E aí entramos na segunda questão fundamental para melhoria do preço do leite: a organização dos produtores.

Dessa forma, a organização dos produtores de leite em forma de grupos, associações ou cooperativas tem sido uma estratégia fundamental para viabilizar e até mesmo exigir acompanhamento técnico dos órgãos competentes, bem como é uma excelente estratégia de negociação de preços, já que a questão da quantidade fica mais bem resolvida.

Neste sentido, a organização dos produtores de leite em cooperativas no Planalto Norte Catarinense, tem procurado agir em duas frentes, a partir da porteira da propriedade.

Essa é a base da idéia da formação de cooperativas de leite da agricultura familiar. Nos municípios de Major Vieira, Porto União, Monte Castelo e Papanduva, essa idéia já foi compreendida por grupos de famílias que vinham desenvolvendo ações em conjunto e hoje estão muito mais animados para melhorar a atividade leiteira na propriedade e no município.

Isso é bom para as famílias, para as empresas, para o município, para o técnico que dá assistência aos grupos, para quem vende ou compra produtos. É uma idéia simples, que traz muitos resultados positivos.

No Planalto Norte Catarinense ainda há muito a avançar, mas para isso é preciso formação, disciplina, fortalecimento das parcerias. O importante é que a organização da cadeia leite já mudou muito o cenário dessa cadeia e a visão das famílias produtoras, das políticas públicas e da relação dos produtores com a sociedade. Hoje é visível o orgulho e o comprometimento de todos os envolvidos. E esse é o grande mérito da organização. 

 

Aviso Legal
Para fins comerciais e/ou profissionais, em sendo citados os devidos créditos de autoria do material e do Jornal Dia de Campo como fonte original, com remissão para o site do veículo: www.diadecampo.com.br, não há objeção à reprodução total ou parcial de nossos conteúdos em qualquer tipo de mídia. A não observância integral desses critérios, todavia, implica na violação de direitos autorais, conforme Lei Nº 9610, de 19 de fevereiro de 1998, incorrendo em danos morais aos autores.
José Trindade
28/04/2011 - 00:52
A imagem tß muito ruim de vÛ pois ficou muito pequena.
Obrigado

Para comentar
esta matéria
clique aqui
1 comentário

Conteúdos Relacionados à: Agricultura Familiar
Palavras-chave

 
25/07/2017
IV Encontro Regional de Plantio Direto na Palha
Chapecó - SC
29/08/2017
11º Congresso Brasileiro do Algodão
Maceió - AL


 
 
Palavra-chave
Busca Avançada