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     31/03/2026            
 
 
    

Nos estados maiores produtores de maracujá do Brasil – Bahia, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro –, o maracujazeiro é cultivado em solos de Tabuleiros Costeiros. No Estado da Bahia planta-se aproximadamente 45% da produção nacional (322.755 toneladas) em 23.227 hectares, cuja produtividade média (13,9 t ha-1) é inferior à nacional. Em 6.845 hectares de solos de Tabuleiros Costeiros do Estado da Bahia são produzidos 76.355 toneladas de maracujá, o que representa 24% da produção do Estado e 29% da área cultivada (IBGE, 2009).

Os solos de Tabuleiros Costeiros são altamente intemperizados, com baixos teores de matéria orgânica, baixa capacidade de armazenamento de água e altos teores de ferro e alumínio, favorecendo a deficiência de boro nas plantas de maracujá (BORGES et al., 2010). 

 
Importância do boro
 
O boro desempenha importante papel no transporte e metabolismo de carboidratos, facilitando a passagem dos açúcares através das membranas, na forma de complexo açúcar-borato (BASTOS e CARVALHO, 2004). A deficiência de boro inibe ou paralisa o crescimento dos tecidos meristemáticos da parte aérea e das raízes (GUPTA, 1979). As plantas de maracujá deficientes em boro apresentam inicialmente atrofia e, posteriormente, necrose da gema terminal, podendo ocorrer ou não o brotamento de gemas laterais logo abaixo da gema atrofiada. As folhas apresentam crescimento reduzido, adquirindo consistência coriácea com ondulação nos bordos. Ocorrem, ainda, clorose irregular e manchas necróticas nas margens das folhas (CEREDA et al., 1991; BAUMGARTNER, 1987). 
 
A recomendação de nutrientes para as plantas, exceto nitrogênio, é baseada na análise química do solo, uma vez que existe, em condições de campo, correlação entre os resultados analíticos e a resposta da planta à aplicação do nutriente (CANTARUTTI et al., 2007).
 
Implantação do experimento para o estudo do boro
 
Em janeiro de 2009 implantou-se um experimento com maracujá amarelo (Passiflora edulis Sims.), em Latossolo Amarelo distrocoeso de Tabuleiro Costeiro do Estado da Bahia, textura franco-arenosa, contendo baixo teor de boro (0,30 mg dm-3) na camada de 0-20 cm de profundidade, objetivando definir a recomendação de boro para a cultura. O delineamento experimental foi em blocos casualizados com quatro repetições, estudando-se cinco doses de boro (0; 1,0; 1,5; 2,0 e 2,5 kg ha-1) na forma de ácido bórico. Este foi dissolvido em 2,5 L de água e aplicado ao redor da planta, num raio de 40 cm do caule do maracujazeiro. As doses estudadas foram divididas em duas aplicações, aos 184 dias e 244 dias após o plantio, considerando que a maior absorção do nutriente ocorre entre o 6o e o 8o mês. Na cova foram aplicados 400 g de superfosfato simples e 3,5 kg de torta de mamona e, aos 90 dias, 100 g de ureia por planta. As amostragens para análises de solo e folha foram realizadas dois meses (época seca) e sete meses (época chuvosa) após a segunda aplicação (244 dias após o plantio) do nutriente no solo. 
 
Resposta do maracujazeiro ao boro no solo
 
Os dados coletados, após 11 meses do plantio, mostraram que tanto para produtividade quanto para o comprimento do fruto não foi possível ajustar equação de regressão para obtenção dos pontos de máximo. Dessa forma, a produtividade média foi de 10,4 t ha-1. A dose de 1,0 kg ha-1 de boro proporcionou a maior produtividade, correspondendo a 11,7 t ha-1. Quanto ao comprimento do fruto, o maior valor foi obtido com a dose de 1,5 kg ha-1 de boro, cujo comprimento médio do fruto foi de 78,8 mm.
Para os atributos peso e diâmetro médio do fruto ajustou-se a equação de regressão, obtendo-se o peso máximo de fruto (148,6 g) com 1,32 kg ha-1 de boro e 71,5 mm de diâmetro médio máximo na dose de 1,24 kg ha-1 de boro (Figura 1).
 
Os atributos peso e diâmetro médio do fruto foram correlacionados com os teores de boro no solo. Na primeira amostragem, observou-se peso máximo do fruto de 150 g com teor de boro no solo de 4,28 mg dm-3. Quanto ao diâmetro do fruto, o valor máximo de 72 mm foi obtido com o teor de boro no solo de 4,15 mg dm-3. Na segunda amostragem, o peso máximo do fruto (146,4 g) foi obtido com teor de B no solo de 0,43 mg dm-3. Já com o teor de 0,42 mg dm-3 no solo atingiu-se o maior valor de diâmetro de fruto (70,5 mm). Em razão dessas variações nos teores de boro no solo, novas investigações são importantes, como o detalhamento do fracionamento de boro e a sua associação com frações da matéria orgânica.
 
A correlação entre a quantidade de boro aplicada e o teor disponível no solo foi positiva, apresentando valores de R2 de 0,88 na primeira amostragem e 0,75 na segunda amostragem. Nesta última a quantidade aplicada (2,1 kg ha-1) atingiu o máximo de 0,58 mg dm-3 de boro no solo.
 
Recomendação de boro para o maracujazeiro
 
Considerando o teor médio de boro no solo de 4,22 mg dm-3, na primeira amostragem, para alcançar peso e diâmetro máximos, definiu-se a quantidade de B a ser aplicada de 0,96 kg ha-1. Na segunda amostragem, com teor médio no solo de 0,425 mg dm-3, a quantidade de boro a ser aplicada foi de  1,2 kg ha-1 para máximo peso e diâmetro médio do fruto.
Durante a condução do experimento o teor de boro no tecido foliar (28,35 a 48,55 mg kg-1) manteve-se na faixa ótima citada pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, a qual varia de 27,9 a 69,4 mg kg-1 (BORGES, 2009).
 
De posse desses dados apresenta-se na tabela 1 a recomendação de boro em kg ha-1, com base no teor do nutriente no solo extraído com água quente. O nutriente deve ser aplicado ao redor da planta, num raio de 40 cm do caule do maracujazeiro, onde estão concentradas as raízes. Sugere-se antecipar a aplicação em dois meses em relação ao que foi avaliado, ou seja, aos quatro e seis meses após o plantio.
 
Referências
 
BASTOS, A.R.R.; CARVALHO, J.G. de. Absorção radicular e redistribuição do boro pelas plantas, e seu papel na parede celular. Revista da Universidade Rural, Série Ciências da Vida, v.24, p. 47-66, 2004.
BAUMGARTNER, J.G. Nutrição e adubação. In: RUGGIERO, C. (Ed.) Maracujá. Ribeirão Preto: UNESP, 1987. p.86-96.
BORGES, A.L. Calagem e adubação para o maracujazeiro. In: BORGES, A.L.; SOUZA, L. da S. (Ed.). Recomendações de calagem e adubação para abacaxi, acerola, banana, laranja, tangerina, lima ácida, mamão, mandioca, manga e maracujá. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura, 2009. p.160-173.
BORGES, A.L.; SOUZA, L.S.; NASCIMENTO, C.A.C. do; SANTOS, J. de S. Boro na produção do maracujazeiro em solo de Tabuleiro Costeiro. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 29.; REUNIÃO BRASILEIRA SOBRE MICORRIZAS, 13.; SIMPÓSIO BRASILEIRO DE MICROBIOLOGIA DO SOLO, 11.; REUNIÃO BRASILEIRA DE BIOLOGIA DO SOLO, 8., 2010, Guarapari. Fontes de nutrientes e produção agrícola: modelando o futuro: Anais... Viçosa, MG: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2010. 1CD.
CANTARUTTI, R.B.; BARROS, N.F. de; PRIETO, H.E.; NOVAIS, R.F. Avaliação da fertilidade do solo e recomendação de fertilizantes. In: NOVAIS, R.F.; ALVAREZ V., V.H.; BARROS, N.F. de; FONTES, R.L.F.; CANTARUTTI, R.B.; NEVES, J.C.L. (Ed.). Fertilidade do solo. Viçosa, MG: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007. p.769-850.
CEREDA, E.; ALMEIDA, J.M.L. de; GRASSI FILHO, H. Distúrbios nutricionais em maracujá doce (Passiflora alata Dryand) cultivado em solução nutritiva. Revista Brasileira de Fruticultura, v.13, p.241-244, 1991.
GUPTA, U.C. Boron nutrition of crops. Advances in Agronomy, v.31, p.273-307, 1979.
IBGE - Produção Agrícola Municipal, 2009. Disponível em: http://www.cnpmf.embrapa.br/index.php?p=pesquisa-culturas_pesquisadas-maracuja.php&menu=2. Acesso em: 8 ago.2011. 
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