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A citricultura brasileira se destaca na produção mundial, superando de longe os principais países produtores. No entanto, convive com problemas sérios de pragas que se tornam mais resistentes a cada temporada, e, se isso não bastasse, ganham, periodicamente, a companhia de outras doenças. Foi assim com a Morte Súbita do Citro (MSC), que tira o sono do citricultor por apresentar sintomas apenas quando a planta já está condenada; e mais recentemente tivemos o greening, tido como a pior praga que a citricultura já enfrentou.
Mas as antigas doenças continuam fazendo grandes estragos nos talhões dos laranjais, principalmente em São Paulo. A pinta-preta, que ganhou recentemente destaque devido à proibição, pelos Estados Unidos, do fungicida carbendazim, atinge nossa produção e prejudica a produtividade. Por isso as pulverizações, há 20 anos, com o pesticida.
E nesse período todo os norte-americanos, os maiores clientes de nosso suco concentrado de laranja, consumiram o produto sem reclamar ou apresentar problemas de saúde. Mas os pesquisadores estadunidenses, depois de exaustivas análises, chegaram à conclusão - e o governo local acatou- de que era preciso abolir o carbendazim. Ao contrário do que chegaram a afirmar produtores de laranja e a indústria, a presença do fungicida nas amostras simplesmente inviabiliza a comercialização do suco concentrado nos Estados Unidos.
Foram abertas duas frentes. A primeira, capitaneada pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), sediado em Araraquara, chegou à conclusão de que é preferível fazer o combate ao fungo com outros produtos, disponíveis no mercado, do que tentar brigar com a fiscalização dos EUA. Até porque o consumidor norte-americano é extremamente sensível às notícias de que determinado produto pode trazer problemas de saúde, e simplesmente deixa de consumi-lo.
Já a indústria, com estoques elevados, optou por deixar de enviar suco concentrado e está embarcado o produto pronto para consumo, já hidratado, que apresenta níveis de carbendazim bem abaixo do permitido pelas autoridades estadunidenses. No entanto, no final, quem pagará a conta será o citricultor. Até porque a alternativa de fungicida é pelo menos 30% mais cara que o carbendazim.
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