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Pesquisas da Epamig consolidam sistema de produção eficiente de leite
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Assessoria de Imprensa Epamig
08/05/2012

O Brasil é o sexto maior produtor mundial de leite. Minas Gerais destaca-se por ter o maior rebanho bovino leiteiro, além de ser o maior produtor nacional. O Estado produz 8,4 bilhões de litros, representando 27,3% do total produzido no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma das principais características do rebanho bovino no Brasil é sua composição: 74% das vacas são mestiças e produzem 1.276 kg de leite por lactação. Minas possui 7,4 milhões de fêmeas, sendo 5,4 milhões cabeças em lactação, o maior plantel do país.

A EPAMIG desenvolve pesquisas para o sistema de produção de leite com vacas mestiças há 14 anos. Esse sistema utiliza fêmeas F1 (cruzamento de Holandês x Zebu – HZ), mantidas em regime de pasto durante o verão e suplementadas em cocho com volumoso (tais como silagens de milho, sorgo e capineiras; os fenos, a cana-de-açúcar e as palhadas) durante o inverno. Na última década, a EPAMIG foi a empresa de pesquisa agropecuária que mais gerou tecnologias para o sistema de produção de leite em gado F1. As pesquisas da EPAMIG têm como base animais mestiços, que têm proximidade maior com a realidade do produtor mineiro e brasileiro.

Embora seja o maior estado produtor de leite, Minas Gerais ainda apresenta baixos índices de produtividade. Segundo o pesquisador da EPAMIG José Reinaldo Mendes Ruas, a pecuária é uma atividade desenvolvida, principalmente, em sistema de pasto e este pasto está hoje com alto nível de degradação. “A EPAMIG, responsável pela pesquisa agropecuária de Minas Gerais, tem a oportunidade de contribuir para a mudança deste quadro”. O pesquisador conta que desde 1998 são desenvolvidas pesquisas em sistema de produção de leite na Fazenda Experimental de Felixlândia (FEFX) (Centro-Oeste) e, atualmente, a Fazenda é referência devido aos diversos projetos desenvolvidos - em parceria com Universidades e com apoio de diversas fontes fomentadoras estaduais e federais. A Fazenda de Felixlândia possui área de 890 hectares, com solos de cerrados em sua maior extensão.

Além das pesquisas, são realizados na FEFX cursos, treinamentos, dias de campo e visitas técnicas. Através do Programa Estadual da Cadeia Produtiva do Leite (Minas Leite), lançado em 2005 e coordenado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), foram capacitados na FEFX mais de 500 participantes, dentre eles técnicos, produtores rurais, estudantes e, principalmente extensionistas. "A integração com a extensão é muito positiva, pois os profissionais da Emater têm mais contato com o produtor rural, que será o grande beneficiado com a utilização dessas novas técnicas", afirma o gerente da FEFX, Arismar de Castro.  O Minas Leite já atende a 1.036 propriedades de agricultores familiares do Estado. Em 2011, houve um crescimento de 62% em relação ao volume de fazendas incluídas até o ano anterior, segundo o coordenador do programa pela Seapa, Rodrigo Puccini Venturin.

De acordo com o pesquisador José Reinaldo, nesses anos de pesquisa as avaliações econômicas apontaram que é possível produzir leite com rentabilidade. "Quando iniciamos as pesquisas em gado de leite F1, na FEFX, as vacas produziram em torno de 2.000 kg por lactação na primeira cria. Com a adoção das tecnologias geradas pelo próprio sistema - aumento de peso, amansamento, frequência de ordenha - essa produção ultrapassou 3.000 kg na primeira cria", explica Ruas. Os resultados demonstraram que vacas F1 foram capazes de produzir bezerros de qualidade, quando considerados o ganho médio diário e o peso do desmame, podendo contribuir para a sustentabilidade da produção. “A venda desses bezerros pode complementar a receita da propriedade”, explica o pesquisador.

José Reinaldo afirma que o Sistema desenvolvido pela EPAMIG demonstra que fêmeas F1 HZ mostraram-se eficientes para produzir bezerro e leite em sistema de pastagens nas condições do Brasil Central. Quando o produtor chega na Fazenda Experimental de Felixlândia ele se identifica com o modelo de produção da EPAMIG e vê a possibilidade de adotá-lo em sua propriedade”, ressalta. Segundo o pesquisador, as tecnologias geradas permitem flexibilidade e oferecem vantagens econômicas, além de serem de fácil aplicabilidade e de administração simples. “Fatores como localização da propriedade, processos gerenciais adotados, tamanho de rebanho e qualidade da mão de obra podem causar diferenças, portanto, é importante o acompanhamento zootécnico e financeiro do Sistema de Produção são atividades fundamentais para uma proposta gerencial eficiente”, alerta.

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