dia de campo

a
Esqueceu a senha?
Quero me cadastrar
     15/06/2026            
 
 
    
Notícias
Livro do Iapar resgata história do plantio direto no Sul do Brasil
Obra é publicada em parceria com a FAO, órgão das Nações Unidas para agricultura e alimentação
Comente esta notícia Envie a um amigo Aponte Erros Imprimir  
Assessoria Iapar
15/05/2012

A evolução da técnica de deposição de sementes sem revolvimento do solo é tema do livro “Plantio direto no Sul do Brasil”, que o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) lança em parceria com a FAO, entidade das Nações Unidas para agricultura e alimentação. A obra, de autoria dos pesquisadores Augusto Guilherme de Araújo, Ruy Casão Junior e Rafael Fuentes Llanillo, enfoca as dificuldades iniciais na área de mecanização agrícola e os avanços tecnológicos – particularmente no desenvolvimento de semeadoras – que possibilitaram dispensar o uso de arado e grade niveladora na implantação das lavouras de grãos no país.

De acordo com o pesquisador Augusto Guilherme de Araújo, a publicação que o Iapar está lançando surgiu por demanda da FAO, no âmbito de um projeto para desenvolver a agricultura conservacionista no Quênia e na Tanzânia. Ele explica que o organismo internacional propôs fazer um mapeamento da trajetória e as dificuldades no desenvolvimento do plantio direto no Sul do Brasil, levantando informações que pudessem subsidiar e tornar mais ágeis as ações nos países do Leste Africano. “Não foi pretensão resgatar a totalidade dos acontecimentos, mas compreender o processo evolutivo do sistema de plantio direto e das máquinas específicas para a atividade”, esclarece.

Para fazer o resgate histórico, os autores entrevistaram 66 protagonistas da implantação e desenvolvimento do plantio direto no Sul do Brasil. Foram ouvidos pesquisadores, técnicos, produtores e representantes de indústrias e empresas revendedoras de máquinas agrícolas. O texto está organizado em ordem cronológica e destaca os fatores que, na opinião dos entrevistados, foram determinantes para a evolução e consolidação do sistema em cada fase histórica.

Os autores também produziram uma versão da obra em inglês, que a FAO utilizará para distribuição e uso em projetos de desenvolvimento rural em países de clima tropical.

Plantio direto – O plantio direto deu nova perspectiva ao uso e manejo dos solos e da água. Estima-se que o sistema seja atualmente adotado em 25 milhões de hectares no Brasil. No Paraná, são aproximadamente cinco milhões de hectares – cerca de 90% da área cultivada destinada à produção de grãos no estado.

Por trás desses números há uma longa trajetória de conquistas técnicas e, principalmente, uma reviravolta conceitual, que começou a tomar forma na segunda metade dos anos 1960: a ideia de que solos tropicais devem ser protegidos das chuvas e altas temperaturas e, por isso, não podem ser submetidos ao preparo com aração e gradagem antes de fazer a semeadura.

A proposta foi recebida com ceticismo por muitos pesquisadores, técnicos e produtores daquela época, pois confrontava o modelo implantado e amplamente utilizado no Sul do Brasil pelos imigrantes europeus. Eles promoveram a abertura de áreas para produção agrícola utilizando o arado de discos e grades pesadas tracionadas por tratores, modelo tecnológico que conheciam de seus países de origem. Muitas vezes, fazia-se também o uso de queimadas para reduzir a quantidade de matéria vegetal e facilitar o trabalho das máquinas.

Não tardaram a surgir problemas ambientais decorrentes desse modelo de agricultura: o intenso revolvimento deixava o solo exposto às chuvas e reduzia a capacidade de infiltração de água, resultando em grande perda por erosão pela formação de enxurradas. Já no final dos anos 1960, tornou-se urgente encontrar uma alternativa de manejo menos prejudicial.

O plantio direto prevaleceu sobre outras tentativas que propunham menor revolvimento do solo – como o uso de escarificadores – graças à iniciativa de produtores pioneiros como Herbert Bartz, em Rolândia-PR; Manoel (Nonô) Pereira e Franke Dijkstra, na região dos Campos Gerais do Paraná. Também data do início dos anos 1970 os primeiros estudos científicos sobre agricultura conservacionista. No início da década de 1980, o Iapar publicou a primeira obra no país contendo resultados de pesquisas sobre o tema.

Atualmente, segundo os autores do livro, o termo plantio direto ganhou abrangência e vem sendo usado como referência a qualquer prática de manejo do solo que apresente uma preocupação ligada à conservação do solo, tornando-se quase sinônimo de agricultura conservacionista no Brasil.

Aviso Legal
Para fins comerciais e/ou profissionais, em sendo citados os devidos créditos de autoria do material e do Jornal Dia de Campo como fonte original, com remissão para o site do veículo: www.diadecampo.com.br, não há objeção à reprodução total ou parcial de nossos conteúdos em qualquer tipo de mídia. A não observância integral desses critérios, todavia, implica na violação de direitos autorais, conforme Lei Nº 9610, de 19 de fevereiro de 1998, incorrendo em danos morais aos autores.
Ainda não existem comentários para esta matéria.
Para comentar
esta matéria
clique aqui
sem comentários

Conteúdos Relacionados à: BRASIL
Palavras-chave

 
11/03/2019
Expodireto Cotrijal 2019
Não-Me-Toque - RS
08/04/2019
Tecnoshow Comigo 2019
Rio Verde - GO
09/04/2019
Simpósio Nacional da Agricultura Digital
Piracicaba - SP
29/04/2019
Agrishow 2019
Ribeirão Preto - SP
14/05/2019
AgroBrasília - Feira Internacional dos Cerrados
Brasília - DF
15/05/2019
Expocafé 2019
Três Pontas - MG
16/07/2019
Minas Láctea 2019
Juiz de Fora


 
 
Palavra-chave
Busca Avançada